segunda-feira, agosto 16, 2010

Fica...

Poema feito para uma amiga especial, que guardou o seu amor, por um amigo e companheiro, durante mais de quarenta anos, sem o ver e sem que ele soubesse desses sentimentos.

Confidenciando-me "que não conseguia escrever em verso o que a sua alma contivera durante décadas", não me contive, e escrevi um poema para que ela pudesse oferecê-lo ao homem que o destino quis, colocá-lo no seu caminho.

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HÁ TANTO SEM TI

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Brilharam múltiplas lágrimas, incontida alegria

O sorriso abriu-se, iluminando qual pura alma

E tu, passado tempestades de quarenta anos

Disseste entre mudo cântico de doce encanto

Amo-te sim desde calada fundo de pequenina

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Guardaste-me sozinha, fosse noite ou fosse dia

Emoldurado nos cálidos olhos da cor da calma

Depois da travessia por montanhas e enganos

Carregada de Ilusões, risos promessa e pranto

Mas com o mesmo amor indivisível de menina!

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E eu com o peito dorido pela ferida da surpresa

Na garganta um nó enfeitado luto de amargura

Perguntei-te que mulher eras tu, e que menina!

Para enclausurar tão grande amor por décadas

Um eterno, um para amar por toda a eternidade

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Não respondeste, e sonhadora, quedaste queda.

Percorrendo corpo em apertado abraço e ternura

Envolvendo-me com um silêncio de baixo a cima

Alertaste-me sem falas, e sem palavras pérfidas

Sou para ti, com amor sem dimensão nem idade

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Para ti MEL

do Cito,

Lisboa, 15 de Agosto 2010

1 comentário:

Anónimo disse...

Felizarda MEL que recebeu este lindíssimo poema!
Parabéns, Adolfo por tanto engenho em poesia!

 
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