sexta-feira, junho 30, 2017

Talvez um dia se estenda ao país inteiro...


Acabou a primeira fase com o fim do ano lectivo, e mesmo sabendo que aderiram poucas famílias foi importante fazê-lo.

Verifiquei nos três meses de duração do projecto o quanto importante é as famílias unirem-se em volta dum projecto que não é oficial imposto curricular, antes partilhar com os jovens aceitando os os seus devaneios, e com a experiência adquirida com os erros ajudá-los na construção do futuro porque...este é como uma viatura sem marcha atrás.

Para o ano lectivo 2017/18 espero que outras escolas com outros técnicos desenvolvam este projecto. Simples: pais avós filhos e netos em aulas conjuntas.


Aos participantes, à Associação de Pais e ao Corpo Directivo da Escola Clara de Resende,  obrigado pela confiança e apoio na efectivação do projecto.


Boas Férias 


Adolfo Castelbranco d'Oliveira
30 Junho 2017

quarta-feira, junho 28, 2017

Aniversários...


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Não são 10 ou 20 anos, antes 4 décadas de solidão quando ante cobardes fardados de guerrilheiros soltámos do peito enfurecidos gritos desconhecendo que escondidos no capim nos esperavam com tiros certeiros, e hoje, ao entrar no Inverno da minha existência não tenho termómetro que marquem os graus frios destes derradeiros Verões.

Tarda mas o reencontro será de vez, e até lá, vou colocando no papel as palavras que te diria. 

Amo-te, 

segunda-feira, junho 26, 2017

Nada de exageros

Por vezes a vida obriga a esforços que estão muito para além das nossas capacidades genéticas razão pela qual, quando se sentir fraquejar ao levantar o corpo ou o copo, pegue nos halteres e faça alguns exercícios...

...mas cuidado com os exageros.

sábado, junho 24, 2017

Obrigado pelo que fizeram...

Provável a última vez que me refiro à tragédia ocorrida desde o passado dia 17, fazendo uma pequena reflexão.
Podemos escrever o que quisermos sobre os fatídicos, acusar quem quisermos, pedir a demissão deste ou daquela personalidade, culpar culpados ou inocentes chorar baba e ranho, carpir mágoas, verter lágrimas, colocar em causa as autoridades e o governo, enfim, podemos vir até para a Face à procura de tempo de antena com base em certezas ou incógnitas.
Podemos tudo o que um estado democrático permite que se faça ou diga...mas não podemos ressuscitar os mortos, razão pela qual nada mais direi sobre este assunto porque já respeitei por "eles" o minuto de silêncio que entendi estar-me obrigado.
Aos que pereceram obrigado pelo que fizeram pela terra pelo pátria, e por esta "raça" onde me incluo.

Inácio

quinta-feira, junho 22, 2017

NA GARE DA ESTAÇÃO

NA GARE DA ESTAÇÃO 


Esperava o comboio pacientemente; na cabeça um chapéu com uma fita azul, calças esfarrapadas nos joelhos, blusa de marca adquirida no chinês e sapatilhas com o símbolo da Nike. Mais à frente, muito bem-posto, um tipo vestido à anos cinquenta aprecia um gajo com ar de charlatão desapercebido do andar provocante duma mulher de cabelo ondulado mala preta, sandália castanha nos olhos um quase brilho mas baço sorriso forçado, é visível tristeza, e do lado oposto um esguio rapazote abana a mona ao ritmo kizomba parecendo surfar uma onda. No chão abandonado um pacote, algo dentro sem que alguém tenha a certeza ser lixo, mas provocando tal cagaço que nenhum dos presentes o apanha. Não havia greve mas vem atrasado, um homem verifica se traz o passe, uma velha de bengala leva um safanão mas opta por calar-se e lá se aguenta pois mais vale engolir a ter um desgosto enquanto de costas o neto faz um like no telemóvel, ostentando ar burguês igual a tantos outros fedelhos que andam na vadiagem nas praias do sul vezes sem conta com a família ausente.
Sem chamar à atenção, sorrateiro, um tipo de capuz com a cabeça coberta abandona o local. Ninguém impede e apenas um agente da bófia à civil franze a testa, dir-se-ia que estranha por estranho parecer o comportamento “Entrar na estação ficar junto à linha sair sem esperar pelo transporte que raio perpetrou o encapuçado”, e pela cabeça imagens dum bombista levantaram dúvidas ao policial decidindo partir em sua peugada como tratar-se dum confesso malfeitor disfarçado de punk múltiplas tatuagens piercings brincos e várias pulseiras. Porém a jovenzita de jeans sem peneiras desata a correr nas tintas pró pudor gritando como noive abandonada ao pé do altar já de vestido nupcial. - Só um ancião desfolhava uma revista, e já perito sabia-se velho para ser caçado, mas sem estar às portas da morte, nas tintas para a velha e sua ladainha. Súbito ouve-se um rebentamento e uma nuvem, coloração acastanhada, envolve a gare – parecia estar-se num covil sentindo-se um cheiro agoirento fede apelando sensivelmente à morte certa só faltando, fosse cortejo fúnebre, o coveiro.
Tranquilo, Josué Curtido Pinto Avestruz que assistia a toda aquela movimentação abana a cabeça em sinal de condena como se para ele episódios de terrorismo fossem seu sustento em cada dia,

- «Que raio deu nesta triste gentalha para entrar repentinamente em alvoroço» e sem demonstrar qualquer incómodo dirigir-se ao trem que finalmente chegava e amarrotando o maço de cigarros vazio e exclama com convicção, “nunca mais fumo”. 
Baixada a noite saboreando um sumo sentado numa esplanada à beira-rio Zeferino Amadeus Lapelas divagava.

- Sabes amigo Curtido de qualquer modo amanhã contamos contigo ao almoço a Lévia faz bacalhau com batata palha mas se preferes, vamos no ensopado de enguia deixa-te de tanto e grátis pessimismo pois há muito que já cumprimos a nossa pena.

Cobria a TV incêndio de brutal dimensão e não fora na gare da estação de Queluz.


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Cito Loio
16/Junho 2017

segunda-feira, junho 19, 2017

Como um soldado, como um louco,



COMO UM SOLDADO LOUCO


Como um soldado, como um louco
apago as chamas do meu inferno
jogando-lhes jacto de lágrimas
sem que me afogue na virtual felicidade
que por momento sustem o meu padecer.

E como um soldado, pouco a pouco,
permito que num momento terno
a alegria se apodere destas páginas
e retornado à bravura da tenra idade
tento destruir o que não pudemos vencer.

Ameia-a como nunca voltarei a amar
e da terra escavada à forma de braços
guardei de marcas o odor e os seus traços,

Ora, perdido já entre o céu e o mar
largo pedaços de terra que sustive
por desnecessário recordar que a tive.


Cito Loio

sábado, junho 17, 2017

Apátridamente



Será que o eurodeputado
 Manuel dos Santos
 tem algo contra mim!

Depois de cumprir serviço militar pelo Exército, chegado a Portugal, 1976  tive de optar por ser português
 "apátridamente" hablando, también era Gitano

quinta-feira, junho 15, 2017

Há contos e contos

Feriado, às vezes gosto outras não e há as vezes que nem é peixe nem carne. Mas estes dias oferecem-me a possibilidade de inventar histórias em forma de prosa poética tudo à causa duma certa relutância em fazer um poema, quase sempre passado à frente porque muito gente entende que os poetas são patetas. Provavelmente não leram Finis Patriae (1891) escrito por um gajo que ninguém fala e que escreveu <É negra a terra, é negra a noite, é negro o luar. Na escuridão, ouvi! há sombras a falar: > e que abusivamente atrevi-me a colocar os versos em prosa abordando a última estrofe de... 


Falam Choupanas de Camponeses:

Morreu a vinha, não dá uvas... É morto o velho camponês... Pedras levadas pelas chuvas... Tecto a cair... Órfãs e viúvas, Luto e nudez!

Para os meus amigos e para ti Guerra Junqueiro

Calou-se o Camponês


15 de Junho, por um minuto de silêncio absoluto suspendem-se presidenciais afectos, interrompem-se todas as manifestações e até os aviões abortam a descolagem. No terreno contíguo vestido de luto arrastava-se vagaroso um camponês por entre fetos recordando velhas canções - Uma vaca mugindo olhava a paisagem.
Comemorava-se mais um dia de feriado religioso com direito a banhos de praia, e na aldeia as viúvas vestiam as mais caras saias, mas na quinta do senhor Valério Raposo morrera de madrugada o boi que cobria a bovina de estimação de Zé Maria. 
Desabara o mundo, já nada restava, e sem herdeiros a vida perdera qualquer sentido, ao ponto que dois meses depois um negociante de ocasião, arrematava a vaca leiteira pelo valor dum penico.
Meava já naquele ano o mês de Agosto e enterrava-se um camponês vítima de desgosto.


Cito Loio
Inácio


quarta-feira, junho 14, 2017

Se fossem destas!!!

O mês de Julho é marcante para muitos e a memória nem sempre se apaga. 
Escaldava o tempo no jardim à beira mar plantado, e por terras do negro o cacimbo mostrava as garras, ao mesmo tempo que muitos catingas mostravam muito mais que isso nas barbas do exército português.
Bom Verão,  







BOTIJAS DE GÁS


Surgido o novo dia, e já desperto enfrentou o astro-rei em desafio mergulhando na praia da Restinga - Secado o corpo no morno areal aguardava-o mais um novo combate encavalitado num monta-cargas rodando pelo escaldante alcatrão.

- Chega essa palete mais perto
- Olha director telefone do seu tio
- Deita fora droga dessa seringa
- Xé aqui cheira mesmo bué mal!
- Como no correu ontem ‘engate
foi a morena ou a jeitosa das sardas
- Eh mano foi mesmo noite de cão…

Um ronco, mais uma descolagem, gente abalando para não voltar e outros que não chegariam a partir - Em terra ensurdecedoras buzinas, tiroteio sem nexo, puro terrorismo, compondo "slogans" de liberdade com falso sabor a fado tropical; _alguns até levavam na bagagem o que nunca se atreveriam a recordar.

- Pessoal está na hora de ir dormir
amanhã pulamos ao som de turbinas
- Chefe este aqui leva um autoclismo!
- É para quando lh’atacar a saudade
- Não tem disto em Portugal?

Cruzando o céu pássaros de ferro; _ no mar, alheio ao fratricídio, imergiam solitários os gaviões enquanto no chão, pintado a cores o Inferno, havia um díspar vaticínio sobre o destino de certos aviões enquanto na Base Aérea 9 reinava a paz, no Prenda rebentavam botijas de gás.


Inácio

Cito Loio 9/6/2017
Bairro Prenda:- perto do aeroporto Craveiro Lopes
Luanda Angola

domingo, junho 11, 2017

NO ÚLTIMO CONCERTO


Entrados no mês de concertos, verão, férias aprazíveis, corridas loucas sem para choques, decidi oferecer um conto a todos os pais e avós, e aos que um dia pensam vir a ser, mas especialmente aos jovens sonhadores que julgam só aos outros acontecerem as desgraças.





NO ÚLTIMO CONCERTO


Disparou "dois rufos" na pele dum tambor, aumentou o volume do simulador e após riscar caracteres sobre a pauta assoprou com determinação numa flauta. Quatro ou cinco notas eram para si bastante; depois já frente a uma avolumada estante pegou num livro de caricaturas de animais selvagens e fixado nalgumas das suas passagens cantarolou algo imperceptível dizendo, isto tem muito nível música da mais incomensurável qualidade boa demais para certo tipo de sociedade por isso o melhor é ir arrasar para o festival curtir alto som ver se me sai na rifa um bombom. 

E conseguiu, madrugava, e curtiu. Abanou o capacete como nunca se viu, e num lance da mais pura sorte engatou uma verdadeira gata que perdera o norte. Na pensão, entre gemidos e ejaculações Nico Sortudo prova soberbas sensações sem dar conta por muito divertido não ter usado aconselhável preservativo.

Não havia sido ainda descoberta cura para a sida, e nem sempre um tipo se cruza com a Bela Adormecida. Dois anos depois ajoelhada ante uma campa singela, chorava uma mãe, costureira, acendida mais uma vela.


Inácio



sábado, junho 10, 2017

Obrigado Luís Vaz




Hoje, é um dia especial. Obrigado  Luís Vaz pelo tanto que nos deste, e se lá no assento etéreo me leres corrige a minha ousadia de escrever por ti este soneto.








COM QUE FORÇA


Com que força pararei meu desagrado
por deste domicílio ter tido só vis traições,
e obrigado num grito simulando agrado
apaguei versos após múltiplas correcções.

Construído um albergue de acolhimento
elogiei então em prosas amores intemporais
rememorando à letra o mesmo batimento
sentido ante disparos traiçoeiros, fatais.

Reconhecido ser esgotado o último recurso
sem munições, restaram ecos de metralha,
em que compreendi ter a vida o seu curso,

E ora vergado pela idade, questiono:
- Com que força vencerei a última batalha
se ignoro vir um dia do futuro ser dono!



Cito Loio
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O Prémio Camões que a mim imponho;_ como ele jamais traí minha alma, que de tão gentil que era acabou partindo empurrada por golpes sujos desferidos por quem nunca usou a sua força para defender a única  Pátria que tinha.

(Adolfo Castelbranco d'Oliveira)


segunda-feira, junho 05, 2017

Obrigado Dulce Pontes

Dia Mundial do Meio Ambiente
...e que nunca me falte o MAR por sepultura.


E imaginei-me noutro lugar
onde agitando a loucura
chutava a bola junto ao mar
dando o que tinha de fartura

 (Memória do Inácio)
Obrigado Cito Loio


domingo, junho 04, 2017

quinta-feira, junho 01, 2017

 
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