quinta-feira, outubro 30, 2014

QUE SÃO AS MINHAS

Um dia fica pronto, para já estão apenas 151 estrofes concluídas

 PARA CAMÕES QUE SÃO AS MINHAS


150
Viessem batalhões, os submarinos com torpedos,
 as fragatas motorizadas naus com velas rotas
mais cómicos filmes prezando extra terrestres
que nos pátios dos liceus, tão díspares enredos
davam a históricas páginas corpo, desnudas roupas
esquecida Morgadinha dos Canaviais, campestres,
perante um tempo de revolucionários amassos
com beijos de pólvora amor d'inquebráveis laços

151
  Assaltava a loucura jovens em plena emancipação
impossibilitado governo colocava espessas vendas
nos olhos de quem queria guiar o seu próprio destino.
- O manto da monarquia ensanguentado pelo chão
fora curto, a retalho não servia para 'encomendas
pois Kuanza Sul perdera já seu máximo paladino
assassinado por haver vultos que causam sombra
a quem o genocídio não arrepia ou sequer assombra

152





quarta-feira, outubro 29, 2014

Sou a extensão dela



SOU EXTENSÃO DO POETA LUSO


Durante 61 anos percorri longo caminho para encontrar em desafio o Poema. Permiti que a poesia vencesse todas as batalhas, e meu génio apenas fosse uma ilusão, vontade de menino, birra de criança.
Pelos meus filhos que abençoaram amores desmedidos, passando muito além das suas mães, escrevo este poema à avó que nunca conheceram, antes que se me perca a memória.,



Sou o que gostaria ser qualquer poeta;
_ Homero, Garcia Lorca, Bocaccio,
Pessoa, Ary, Bocage, Antero ou Zeca
porque sou desde nascença Inácio!

Sou consequência dum velho império
sem pai, perdida a mãe à nascença
enterrada num extemporâneo cemitério
que da memória me roubou a crença.

Sou antigo combatente, sem opositor,
revolucionário, quiçá ser impoluto
que a justiça humana traiu, por favor,
violando a lei protegendo ‘corrupto!

Sou o que nunca meu pai quis q’ fosse,
erudito dessas tais cousas patéticas
escritas c’ palavras de sabor agridoce
denominação; exímias artes poéticas!

Sou mais uma extensão do Poeta Luso
guardando a arte posta em soneto
que a poesia é mais que este verso luto.
- É um sonho mantido em segredo…


Cito Loio

terça-feira, outubro 28, 2014

Prenda de aniversário

Maria do Carmo Castelbranco,
Obrigado por me teres dado vida


DESVENTURADO E CONTENTE
(A minha prenda para o meu aniversário)
.

Irreversível, hoje, ’marchar pela mudança
(um tempo que já muda) a cada estação,
piar do mocho, silenciar de uma serpente
chuva fria num trovão que já anuncia
desejo singular q’ pelos dedos se m’escapa

Sim, hoje, revivendo tempos de criança
pulo e brinco, rodo imaginário pião,
cambio quintal para u’ reino permanente
e de diadema na mona rei da alegria
beijo foto única de minha mãe à socapa

Atentem, hoje, dei um passo em frente
adicionando aos sessenta anos, apenas um
tendo porém todos ‘outros bem presente.

Incrível, hoje, sinto-me sozinho, ausente,
e c’ a segurança de me não faltar nenhum
deitar-me-ei desventurado, contente.


Cito Loio
28/10/204

sexta-feira, outubro 24, 2014

Foi ofensa!

É já amanhã Casa Luso Angolana 
800 de Lusofonia
Porque participo?

Por amor a Camões a esta Mulher e aos Meus
.

.
- Diz-me mãe se minh´hora está perto !
- De que cor me deverão vestir!
- Devo ir de fato ou bastar-me-à partir!
- Tomar-me-à o anjo negro ainda desperto!

Pergunta a Deus se naquela noite de alegria imensa,
ter nascido foi para Ele tão grave ofensa!



terça-feira, outubro 21, 2014

Se não for !!! paciência

CONVITE
Se não for !!! paciência

***

 
 
 ***
CATIVO POR ANGOLA
 
Criei sete patos, vinte coelhos
um galo três cães, dois fedelhos
a quem dei tudo o que era meu
muito mais o que Deus me deu
seguindo cada um sua rota
pois não há fé que não devota;
_ eu, mais só q’ vela de cemitério
evitei tomar outro ministério
e beliscado pelo virar da fama
vi-me deitado noutra cama.
.
- Frente ‘mercantes omnipotentes
dei esmola ‘mendigos carentes,
fizeram-me (tão igual) pedinte
e sem nunca ser o seguinte
remocei, descendo escadarias
ao tempo dos jogos e judiarias,
amores perdidos quase perfeitos
abolindo do sexo preconceitos
prezando nu em bancos d’areia
fêmea sedenta a mais bela sereia
com gemidos, sem preservativos
alertas diversificando avisos.
. 
Casei-me, dei-me outra ‘chance’,
de meu pai «que vá que avance»
escutei surdo, conselhos sábios
mordendo por rendido os lábios
não doesse mais pura verdade
a mentiras visto delas ‘maldade.
- Avancei pegando o desconforto
divorciado de novo já no Porto,
e gatinhando c’ meninas de saias
tentei-me a decifrar os Maias
impedido de ler Os Miseráveis
por ladrões d’actos inconfessáveis
desperdiçando vinte e um anos
num país, vivendo de enganos
e sem ama que me cuidasse
escapou-se-me um novo enlace
por ser pobreza impedimento
a tomar conjugue por juramento.
.
Génio, entendi sufragar a dor
mandar às malvas pacto d’Alvor
pintar planícies com encanto
poemas sem mácula ou pranto
a Moçâmedes, Lobito, Benguela
Malange, Dondo, Camabatela
Ambriz, Quibaxe, Porto Amboim
Huambo, Huíla, terras sem fim.
 
Hoje, mais perto do precipício
vejo-me de fraldas no princípio,
correndo pelo meu quintal
eterno cativo de nha terra natal.

 
Cito Loio

sábado, outubro 11, 2014

Cresci também magoado,

 
....
cerrado 'punho negou poeta 3 vezes a Deus
apreciou a baía que julgara u' dia também sua
e do alto morro olhou pela última vez a lua
 

quinta-feira, outubro 09, 2014

segunda-feira, outubro 06, 2014

15 anos de Amália

Muito se disse e se dirá sobre este símbolo, mas no meu caso pouco tenho a dizer a não ser que ela é única, e por tal , e tal como ela sofreu em vida pergunto a este Povo, porque me traiu!. Afinal....
.

{ Tinha por vós enorme respeito,
mantinha intacta do berço a decência.
-Agora choro 40 anos de ausência
doutra minha terra, desta forma e jeito }

.

Para ti Amália o meu mais singelo tributo...
...feito da forma que melhor sei fazer.   .   
.
SE...AMÁLIA
(Outubro 15 anos da morte de Amália)


Voltasse a subir Amália a um palco
encantaria com o mote deste fado
narrando pranto, gritos por todo ’lado
estrofes feitas por matas em sobressalto

Soltaria ‘garganta ecos de amargura,
mística rima em cachoeiras de saudade
revoltas do tempo de nha puberdade,
feroz acareação à anilar ditadura

Instruído por cada verso, com que voz
cantaria épica (de egrégios os avós
roto ‘império) as tábuas do seu caixão

E dos erros crassos com arte o Génio
calada guitarra, deste singular milénio
veria pela cor enlutado meu coração

Cito Loio
2/0/2014
.
   

Vendo-me restos de Hiroxima



SEM ODES A HIROXIMA.

Pai, que saudades já sinto
das ondas da nossa baía,
rebolar na erva do quintal
abraçado ao nosso cachorro;
_ vestir a velha capa de zorro
de espada desferir um Z,
gritar corre anda ver, vê!
- Pintar o demónio com cal
segurar o trovão que não caía
sobre o telhado de zinco.

Pai visses soidades q’ guardo
tantas mesadas imerecidas,
ao empandeirar notas do liceu,
do escárnio à carga policial
última peça em cena teatral
lágrimas revoltas contra bastões
fardas vestidas, aldrabões.
- Lê comigo, que o poema é teu
versejando sobre ‘tuas feridas
eu, cumulando pesado fardo

Pai já deixei de ser menino,
e só, carrego meus enganos.
- Porque não me deste ‘foguetão
sabendo não seres eterno!
_ eu desceria um dia ao inferno
pesado na balança da tristeza
e de minha mãe a incerteza
se faria plagiando ‘imaginação
castelos na areia, «vamos
tocou que já na igreja o sino»

Pai! é o fim que já se aproxima.
- Perdoa a outrora ignorância.
Pai, já calei odes a Hiroxima.
- Da mãe!, resta-ma fragrância…


Cito Loio

 

sexta-feira, outubro 03, 2014

Quero morrer escrevendo





VALOR 
DA
SOLIDÃO




Sumido ouviam-se notas dum fado, o trinar da guitarra desafiando acordes dum dedilhar de viola sem fazerem esforço para abafar a voz esganiçada duma grande fadista desconhecida com palavras dum poema sobejamente conhecido passado constantemente nas emissoras de rádio nacionais e também nas privadas intitulado “Que Deus me perdoe”, e bem que ela podia pedir perdão à divindade pelo assassinato vocal embelezado por grunhidos e desafinações.
Contínuo à casa donde surgiam os acordes agoniantes, um sexagenário sentado na sala da sua minúscula casa teclava no computador palavras que deviam servir para construir um tratado sobre algo que dificilmente seria matéria fácil para quem não tivesse experiência, e que traduzia só por si um desafio que o próprio auto impusera registando um nome para o documento de «Valor da Solidão», inequívoca confirmação do quanto representava a proposta em termos genéricos tal estado.

(Portugal Outubro 2014
Quanto vale a Solidão?.
Antes de se iniciar a leitura do que refere o mote e sobre uma visão sociológica se observado no universo das pessoas que rodeiam um indivíduo propõe-se a introspecção afim de determinar o seu enquadramento no segmento dos seres solitários, independente de estar ou não rodeado por familiares amigos, membros de claques clubistas ou espectadores, no cinema ou quiçá numa bicha à porta do fundo de desemprego de uma qualquer dependência da Segurança Social. Cruelmente a solidão é ainda a audição dum choro de bebé num cabaret para adultos durante uma sessão de streep tease, ouvir as ondas a rebentarem na orla marítima enquanto se viaja de avião a 12 mil pés de altitude o sussurrar do vento num mergulho com escafandro, ou até assobiar a marcha fúnebre num desfile carnavalesco no sambódromo do Rio em 3ª feira de Carnaval. Comummente estes estados/estágios de alteração psíquica são quase sempre conotados com demência ou febre 'psicótica'; se assim não fosse eu próprio estaria internado num qualquer hospital psiquiátrico em vez de escrever romances contos ou artigos sobre patetices politicas. Evidente que a vivência da solidão por dentro destroça corrói debilita, mas por vezes permite encontrar-se nela uma força adicional e armas por inventar e combater patamares superiores de ansiedade, tendências suicidas ou em última instância a propensão para cometimento de actos que a lei considera crime.
Mas afinal quanto vale a Solidão?...)

Súbito o homem e escritor suspende a tarefa a que se propusera ao dar conta do Silêncio Total que imperou na sala. A TV não funcionava, a telefonia estava sem pilhas, a cantoria na vizinhança terminara, o computador queimara os cristais do ecrã, a luz da sala fundira, o candeeiro da rua vandalizado, a cadela da vizinha não ladrava e a dona também não, os carros não circulavam face ao jogo do Porto x Shakhta e o do Sporting x Chesea , transmitidos pelas Tvs, os filhos ausentes, as ex-mulheres parte duma história vivida, as namoradas tinham optado por outros namorados, e ele enfrentava uma vez mais a Solidão Absoluta. Com esforço levantou-se, meteu a mão ao bolso, contou os últimos 55 cêntimos que restavam e sorriu.
A pouco mais de 250 metros havia um bar que servia café de mesa a esse preço e ainda oferecia dois plasmas para a velharia apreciar os seus clubes jogarem nas mais diversas competições. Escolheu uma moeda de 0,20€e decidiu pontapear a sorte e deixar as faces da moeda decidirem sobre cara ou coroa atirando a moeda ao ar; se saísse cara ia ver futebol em Solidão Assistida, mas saindo coroa abraçava a Solidão Sepulcral.
Quando esta caiu no chão definiu para o valor da Solidão Assistida 0,55€ preço que pagaria pelo café. Saiu de casa batendo a porta sentindo nos ouvidos um zum zum atordoante que o impediu, ao atravessar a rua, escutar o rodar dum carro a alta velocidade e faróis apagados que o colheu. O condutor tinha definido 0,20 € o preço da Solidão. Dois dias depois, dia um e primeira 4ª feira do mês de Outubro procedia-se em lugares diferentes aos funerais de dois homens que podiam num estudo científico constituir-se como exemplos vivos para definir o que era a Solidão.

Reli este documento duas vezes e exclamei: «Bom, ainda tenho 0,80 € para tomar uma taça de vinho maduro tinto»
A solidão por vezes veste o hábito, eu por hábito já me acostumei à cor dum pijama chamado solidão.

Inácio
(Adolfo Castelbranco Oliveira)

quarta-feira, outubro 01, 2014

Ao meu pai

Outubro é apenas um mês com uma indelével marca a pranto.

Este é o meu poema, uma pena de 60 anos, a homenagem a um Homem contra quem sempre lutei talvez por nunca ter compreendido os seus Lutos e ele nunca desculpabilizado as minhas Revoltas.

Ao meu pai quero, 20 anos depois da última oportunidade que tive para lho confessar, aqui, perante o Universo atestar:

Pudesse e morreria para que ela não tivesse morrido e se minha morte servisse teu consolo, com ela trocaria a campa



HIROXIMA D’OUTUBRO
 


 
Deixou-te Outubro dura sequela
sorrisos com investidas d’agonia
um grito ante encerrada janela
vendo doce amada que se perdia

Servisse a vós ser minha a culpa
matar-me-ia para que renascida
limpasse ela esta dor que se avulta
e em ti renascesse segunda vida

Quis a mãe natureza, contudo,
que da essência guardasse tudo
trucidada alma forma de padecer

E quando sob acusações, mudo,
ficou-te por reparar, simulado luto
e o que dura este jeito de sofrer

Inácio (Cito Loio)

 
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