quinta-feira, junho 30, 2011

Poemas Avulso

*

Um

Poema

Por

Mês

Adolfo Castelbranco Oliveira, no romance Uma Persiana na Janela retrata Maria do Carmo, que a 28 de Outubro de 1953, GRÁVIDA DE UM POEMA, dava à luz Cito Loio, o poeta.

Pela primeira vez em público e em papel, 57 anos depois, Cito apresenta o 1º exemplar da série …POEMAS AVULSO
Cada exemplar será mensalmente apresentado e distribuído em papel colorido e marca de água, não sendo válidas cópias com assinatura digitalizada ou fotocopiada

Nota: o 1º poema engloba os meses Julho e Agosto e será colocado ao público na próxima semana, bem como a divulgação dos pontos de distribuição, nome dos distribuidores e os pacotes à disposição dos interessados

*


Dúvidas...!

Quarta-feira é um dia da semana ter um significado especial para mim, que não desvendo, quero partilhar este curto poema que me obrigou a «andar à roda dele» cerca de 12 horas!
Mais fácil foi dizer o 4º caso da igualdade dos triângulos em 1964 referido num dos meus contos.
Drª Estefânia, professora de matemática do 2º ano dos liceus, obrigado pelo 12 no fim do período, mas efectivamente eu era um caso perdido, daí que sempre amei perdidamente…!


IGUAL A TI

Quero amar-te perdidamente
Largar em ti uma semente
Fecundad’em vítreo um filho nosso
Rezar silencioso, um Pai-nosso.
_ Descrente, a Deus pedindo perdão
Aceitaria que fosse varão
Ou da gestação, igual a ti, mulher
Não como a outra qualquer!
E três Ave-marias rezaria
Por ser tão só o que mais queria

Cito Loio
29-6-2011

terça-feira, junho 28, 2011

Chacota até dizer basta...!

APENAS O 12

Mil novecentos e sessenta e quatro, era nesse tempo, como muitos, dos melhores e mais brilhantes cérebros do Liceu Nacional Salvador Correia, cujo nome ainda aportava de Sá e Benevides, um aluno repetente, não porque a matéria fosse dificílima os professores incompetentes, apenas porque naquela parte do mundo de uma África portuguesa a despertar em direcção a uma independência, estudar, para muitos, era um sacrilégio, ditadura paternal perda inquestionável de tempo.

Passados quarenta e seis anos, olhando o universo dos jovens licenciados sem emprego e sem futuro aqueles pontos de vista encontram na sociedade moderna, pouco é certo, sustentabilidade

Retomando a A1, estava uma bela tarde de verão, talvez Fevereiro ou Março, nós em aulas, que as férias por determinação metropolitana eram no cacimbo, frio e húmido, mais húmido que as quentes mulheres saídas do duche a pleno verão, e como tinha bichos carpinteiros lá dei motivos para ser chamado ao quadro para satisfazer a vontade da reinante professora – tratava-se de uma aula de matemática em que a única coisa que me agradava era a professora, que naquele tempo se apresentava aos meus olhos como uma deusa, ainda tenho de memória tal esbelta figura, da mesma forma que nunca esqueci o nome, conhecida e reconhecido como xôtôra Estefânia.

_ Diz-me os casos de igualdade dos triângulos

Diz-me! Fantástico, maravilhoso e maravilhosa época em que as professoras tratavam os candengues por tu, e nós, no máximo respeito, sempre as premiando com o cognome de senhora professora – xôpssra ^na escola primária, a tal que acabou onde se ensinava a escrever em bom português e sem acordo ‘ortografico’, e o famoso xôtôra no ensino secundário, onde os alunos jamais se atreviam a agredir alguém do corpo docente.

Não faço ideia do superior, porque em 1999 quando leccionei no FCDEF, a convite, os alunos tratavam-me por Adolfo, e só alguns por Mestre, estes sendo sem dúvida os mais chegados.

Lá comecei a desenvolver os meus pré doutos conhecimentos em ‘Mat’ diminutivo de matemática, um cadeirão que abraçava aritmética e álgebra para além de muitos chumbos no exame de final de ano, aqueles que chegavam lá por escaparem a sair ante do final de temporada por faltas, algumas disciplinares, porque naquele tempo os pais não tiravam satisfações aos professores por causa de faltas ou notas negativas, preferindo ajustar contas com o elo mais fraco ou seja com os fedelhos, e por isso elas eram marcadas nem que fosse para justificar a sua existência.

Terminado o 3º caso de igualdade, dei início a uma tentativa para dizer mais um, eis que, sacrilégio, fui interrompido pela xôtôra.

Inácio se me disseres o 4º dou-te o doze/doce

Fiquei na dúvida se era 12 ou marmelada que me calhava em sorte, mas se fosse aquele pastel plantado à minha frente, portadora de uma beleza que contrastava com o negrito do quadro de lousa, já riscado pelo giz branco até aos quatro cantos onde luzia um em cada canto os parafusos que o fixavam à amarelecida parede – sim porque as paredes do liceu eram amarelo desmaiado – também não era de desprezar ou rejeitar.

Na sala, risota em surdina deixavam perceber que o bom do artista teria missa cantada de gozo palermoide.

Fez-se silêncio até nos corredores e claustros, ao ponto do crocodilo ‘esbocejar’, porque o desafio fora aceite; o Génio dos Quadros, soberba petulância de puto safado, olhando as pernas da Estefaninha desde o tornozelo ao joelho, que o resto teria de ser imaginado, começou a desenvolver um conjunto de termos e referências ao mesmo tempo em que se percebia que o espanto se amantizara com a professora, e os colegas engoliam ‘xuingames’, famosas pastilhas elásticas vindas dos States, e pronunciadas já naquele tempo debaixo do novo e actual acordo ‘ortografico’.

E do silêncio sepulcral, a divina professora atirou

_ Parabéns, ganhaste o prémio

Não caiu o Carmo e a Trindade porque a malta nem sabia do que se tratava, porque só conhecíamos a sagrada Família por fora, e alguns só em quadro no dia de consoada

Ainda soava o elogio da professora, já tocavam os primeiros acordes da campainha alertando para o intervalo, período sagrado para alunos e professores, porque cinquenta minutos de aula a sério, cansava.

Começava ali o meu suplício para não dizer martírio, rodeado de colegas a dizerem-me que tinha safo o 3º período a Mat com aquele 12, e eu a referir inchado que ia comer aquele docinho!

Durante uma semana fui o desgraço da turma, chacota atrás de chacota, com as piadas, sobre o ter pensado que ia comer o bombom da professora, ao ponto dos mais kotas, gozando que nem cabindas quando me apanhavam na cantina, diziam ao Camões que se eu quisesse uma nata não havia problemas que a comissão de finalistas pagava.

Como desforra, deixava suspenso no ar que uma certa noite o rapaz adormecera nos braços da Vénus com Braços – nunca convenci ninguém nem a mim mesmo!

_ Professor já está na hora!

_ Faltam ainda 10 minutos Pedro

_ Podemos terminar mais cedo, quero ver o debate entre o Portas e o Sócrates?

_ Ok, deixa-me na Casa da Música!

_ E o Adolfo vai ver o debate!

Era impossível pois só chegaria a casa por volta das onze da noite, isto se apanhasse a camioneta das dez e meia; materiais arrumados e Pedro Moutinho deixava-me na estação do Metro; despedimo-nos com o tradicional shake hands e um bom debate.

Já dentro da estação inadvertidamente o meu pensamento voou para o ano longínquo do segundo ano dos liceus, sorrindo ao recordar o caso da igualdade dos triângulos pensando que aquela droga de matéria nunca me servira de nada, a não ser para escrever sobre o caso em si e manter viva a recordação que a belíssima professora Estefânia produzia – e o sorriso alargou-se, até ao momento em que os poucos utentes do metro foram acordados da sua nostalgia, ao transformá-lo numa gargalhada comentando

_ Aos doze anos temos uma boca tão grande que pensamos poder comer qualquer doce!

Cadê o nosso D. Sebastião

Sem palavras

SALTO

Por entre luas e estrelas, salto
Entre ela vislumbro Espanca
E em Florbela nada me espanta

Por entre flores e arbustos, salto
Vendo Junqueira circunspecto
Homem austero mas bom aspecto

Por serras e serranias, salto
Vejo Ramalho, está na reforma
Junto à Marquesa de Alorna

Por montes e vales vou e salto
Carregando de Cesário comigo
A musa de um poeta antigo

Por cafés e esplanadas, salto
Esbarro em Pessoa, mostrengo
E a tudo a que não me prendo

Por mulheres e amantes, salto
Para dar no final em fria laje
Dois dedos de conversa a Bocage

Saltitando dou mais um salto
Revisitando todos os poetas
Com eles bebendo e sem dietas

Por fim hesito e não salto
Que o talento de um Camões
É maior q’as minhas’ambições

No final quis ser com’ele trovador
Mas não cantar em verso a dor
Legar ao futuro só a alegria
Lembrança minha em companhia

Imortalizar em livro, meus valores
Pátria de tantos conquistadores
De velhas descobertas, nova rota
De um valor que se não esgota

Mas tudo o que lavrado aqui, ficará
Receio que a poucos chegará
Num país q’está em rota de colisão
E não s’acredita em D. Sebastião

Cito Loio
27-6-2011

segunda-feira, junho 27, 2011

Deu-me vontade de rir...!

Começa a ser necessário de facto que Sua Exª o Senhor PM assuma o controlo da Cultura neste país, e que me perdoem os bons escritores e as boas editoras, mas as desgraçadas das árvores não têm culpa do mau gosto que se vem apoderando do país.


A TERTÚLIA
.
Somavam par’aí uns três mil anos
Muitos, jurava estarem insanos
Mapa de rugas até no pensar
Caduca maioria com total falta d’ar
.
São montras do velho caminhar
Inflexões penosas ao declamar
Em q’os versos lhes dão emoção
Sem mote nem aparente razão
.
Anuncia-se d’entrada a violinista
C’aspecto de ter comido alpista
Segura rebeca arco, sem pauta
Sacando notas do tipo flauta
.
Os tímpanos mandaram-s’ao ar
Reclamando perante o desafinar
Basemos! – Isto é de morrer
Só fica quem gostar de sofrer!
.
Mas fiquei apreciando a mãezinha
Fotografava feliz a pobrezinha
Paganina de concerto domingueiro
Que não seria este o primeiro
.
Completando o doloroso azar
Juntaram-se velhos para declamar
Alguns vomitando os bofes
Lendo sonetos de seis estrofes!
.
Desligando, meu caro Zé Manel
Mesmo saboreando chá com mel
Domingo, o seu familiar café
Parecia velório na Igreja da Sé
.
Cito Loio

domingo, junho 26, 2011

sábado, junho 25, 2011

O que nos rimos com o Púzia...!

Poema brincalhão, revisitando a infância, os amiguinhos, nossas loucuras, e sobretudo a cama elástica do nosso crescimento.

Que me desculpem os que ficaram de fora mas não se trata de romance e não cabiam todos…!

Felizmente a lembrança não ocupa espaço na memória



RISOTA NA CASOTA


Corpo esbelto de mariposa
Serpenteando pela calçada
Vai fresca ó que gazela
Vendo incrédula a rapaziada

Esgazeados, quais Tarzans
Juravam dar meia dúzia
Tomás, Cito, e Manuel Púzia
Só uma parte dos mil fans!

Descia a noite prima do medo
Oito anos, nove se tanto
Ainda idade de muito pranto
Se não fossem pra cama cedo

No jogo erótico da cuspidela
Esgalhavam’inhoca os otários
Sem s’importarem c’os horários
Em noite d’insónia, culpa dela

De manhã, era só fanfarronice
Nem imaginas o que lhe fiz
Cala a boca ó aprendiz
Deixa-te dessas cretinices

Entre algazarra confusão
Fech’a dentuça já te falta um
Tu! Ficaste masé em jejum
Com medo do senhor papão

Enquant’os tolos se digladiavam
Zi, Faty, Tizinha e companhia
Imaginavam-se noutra orgia
Onde os putos não entravam!

Inexorável o tempo espreita
Regista o tempo no calendário,
O que não quisemos em diário
Mas que só a nós respeita

Agora c’novos meios de filmar
Vendo-as mais femininas
Recordo as doces Felisminas
E o quanto nos fizeram sonhar

Cito Loio

quinta-feira, junho 23, 2011

Obrigado mano Tomás


A VISITA


O comboio parte
Faz-se tarde
Leva um amigo
Que ficou comigo

do mano Cito
23 de Junho de 2011

quarta-feira, junho 22, 2011

President(a)...da AR

Gostei da reacção da Drª Assunção Esteves ao anúncio da sua eleição para Presidente da Assembleia da República
Vi um sorriso franco num rosto tranquilo.
Mais do que o seu desempenho técnico, e pelo respeito que me merece a 'mulher' desejo que esta o seja, por todos os portugueses
Só por isso este poema é em sua honra; espero que aprecie se alguém lho fizer chegar ao conhecimento

SOLTA FRESCURA AO VENTO


Com bálsamo afaguei-to peito
Aliviando dores sem jeito,
Ao sentir gemer tua pele macia
E tudo o mais que se não via

Repus uma perdida confiança
Sem tratados nem aliança
Ao dar-te suores do rio Douro
Em fina pulseira debruad’a ouro

Tu, renascida com fé, já airosa
Coreografast’a valse a mille temps
Obrigando-me a ficar teu fan!

Vestiu-se a esperança de rosa
Trouxe-me de novo, novo alento
E a ti, solta frescura ao vento

Cito Loio

segunda-feira, junho 20, 2011

E o futuro...!

Fernando Nobre não é ilegível para presidente da AR.
Agora a questão que coloco: não terá queimado a sua eleição para PR nas próximas presidenciais?

sexta-feira, junho 17, 2011

Mestre da smashada

TENNIS CLUB

Sete horas, mais alguns minutos
Toca o despertador, basqueiro
Ouvem-se gritos da mãe dos putos
Um pontapé, turras, dois chutos
Pequeno-almoço, cigarros, isqueiro!

Toca a preparar a minha pasta
Aperta-me essa sapatilha, menino
Mãe! _ A escova está gasta;
Bolas este cinto é mesmo rasca
Chatice, vejam lá se têm tino!

O carro, ignição, já a trabalhar
Sacos mochila, as minhas raquetes!
Lá atrás homem, junto à bomba d’ar
Assim não se vão estragar
E não há desculpa para os setes

Isso é que era bom, dona Maria
Ainda está para nascer!
Ganho cantando o hino d’alegria
Que o teu ídolo não joga na lotaria
E derrota só estiver a morrer

Bazófia é o teu golpe forte
Mas logo à noite ajustamos contas
Nada de desculpas, sem sorte
Como desculpa, viajem ao norte
Reuniões com gajas tontas!

O bólide voava pela avenida
Algazarra da miudagem continuava
Notícia do rádio era repetida
Raio do semáforo, olha uma batida
Um palerma a ver se passava

Mais uma curva, primeira paragem
Despejar o mais pequeno
Quando acaba o carro a rodagem
Já veio a t-shirt da estampagem!
Não! Mas mantém-te sereno

Chegámos meninos, respeitinho
Não saiam da escola
Toma conta da tua irmã Riquinho
Agasalhem-se está fresquinho
Teresinha, olha a tua sacola!

O clube, chegámos – salvos
Ligo-te quando a partida acabar
Passa na oficina para ver os calços
_ Sim amor, vou aos saldos
Combinei encontro com a Pilar

Desilusão, o clube sempre vazio
Freddy o gajo não joga puto
Vai ser um passeio à beira rio
Como é que deixam jogar este tio
Parece que vem de luto

Oubi dizer c’andas a sarigaitar
Uma trigueira lá de ‘xima’
Epá essa malta não se sabe calar
Andas ou não a papar
E não me venhas com – é prima!

Atenção, isto não é para se saber
Ando com o coração na mão
S’a víbora vier a perceber
Saca um escândalo bom de ver
C’ela não é como a do rés-do-chão

E Zé dos Ases passa uma ronda
E batendo os adversários
A zero, parecia navegar numa onda
Perante jogadores tipo pomba
E raquetes guardadas nos armários

E ninguém ligava ou aplaudia
Que no bar havia jogo de canasta
O chão, fora, cimento, fervia
Enxotando quem perdia
Cansado de lutar, chega, basta

Eis a final com hora já marcada
Sai móvel, telefonema
Vais levar umas boas smashadas
Depois d’irmos ao cinema

Junto aos amigos, risota em alegria
Vem um ácaro, é azarado
O artista cai à cama com alergia
Deix’a amante em banho-maria
Com ciúmes disfarçados

O raio do azar nunca vem só
Por ir-se a taça, foi-se a pontuação
A esposa zombou dele mas com dó
Zé ficou-lhe com um pó
E a tristeza invadiu a federação

Perdeu-se assim um campeão
Em primaveril tarde inglória
Já preparado para receber o quinhão
Pagar a oficina do seu carrão
E esfregar a franga da Maria Glória

Cito Loio

quinta-feira, junho 16, 2011

Há terceira rebentamos...!



Três não dá para aguentar, razão pela qual daqui, peço ao Dr Paulo Portas, segure este país que parte deste povo já sofreu demasiado, e muitos ainda não curaram as feridas do passado recente.

Uma foto no mínimo curiosa

Lei (o da camisa branca) e um dos seus grandes amigos, Alípio, personagens do livro Uma Persiana na Janela

JUDAS SÓ TRAIU UMA VEZ

Em Portugal preparava-se a 2ª grande traição ao Povo dos últimos 40 anos – a 1ª aconteceu em Abril de 74, onde sem qualquer explicação plausível um conjunto de Capitães do Medo decidiram dar um Golpe de Lado para entregarem o Ultramar ao espectro Comunista do Leste, tendo em conta que a Guerra dita Colonial estava nas lonas com os Movimentos a serem Sustentados pelo próprio Exército Português.

O contraponto a esta afirmação é a sempre e velha história da Guiné, como se aquele espaço alguma vez interessasse a Portugal a não ser por questões de Orgulho Pátrio e Comissões que os militares bem aceitavam para aumentar o seu pecúlio.

Mas não me magoa a descolonização exemplar, dói sim a Mentira utilizada durante décadas para sustentar um erro cometido na altura, se bem que a Independência seria adquirida pela rebelião interna – e teríamos uma Angola com a dinâmica do Brasil, multifacetada, mais moderna em termos intelectuais derivado ao ‘momentum’ em que essa independência viria a acontecer.

Uma Guerra no Ultramar, e sabendo o mundo que Portugal exigia da comunidade internacional que esta considerasse as suas possessões como Espaço Integrante da Nação, nunca permitiria aos movimentos de libertação, sem homens com formação capaz, avançar com outro tipo de armamento que não fossem espingardas e pouco mais – o governo da nação sabia que outro tipo de armamento equivaleria a uma utilização por parte de força doutros países, uma ingerência externa com Invasão a um território Soberano.

Salazar sabia-o e Caetano também…

Se o primeiro pela idade avançada não tinha força para alterar o regime, nem estava interessado por saber de antemão que havia quem se perfilasse para trair a pátria, já Marcelo era novo quando ascendeu ao Poder, aportando a firme convicção que o pensamento de Pedro I do Brasil tinha razão de ser, ou seja, que Portugal tal qual se tinha constituído como Nação dificilmente poderia sobreviver sem que tacitamente fosse criado uma espécie de Estados Unidos da Lusitânia, e esse era o percurso que certamente o Estadista queria tomar.

Neste xadrez posicionavam-me equitativamente Soviéticos e Norte-Americanos – destes dois interesse na região, resultava o equilíbrio ‘geo estratégico’ para a Metrópole, dado que nem um nem outro queriam entrar deliberadamente em confronto na região e muito menos tendo Portugal já colocado a partir de meados da década de 60 um exército forte e perfeitamente equilibrado no que refere a armamento e logística – acrescentando-se que, como país Europeu e também com forte ligação à China por via de Macau em que se dizia já antes de 68 – quando o colosso chinês acordar o mundo estremecerá –, e ao Japão através do comercio aberto com Angola, dificilmente o Mundo entenderia um ataque selvagem a Portugal, que de facto era do que se trataria.

Assim, primeiro António e depois Marcelo demonstravam uma inteligência superior aos demais governantes internacionais, até porque para se ser estadista necessita ter-se Alma Lusa, e essa, segundo uma israelita amiga, só os portugueses têm – não se vende, não se propaga como vírus, e sobretudo não se negoceia. E desta convicção profunda que ambos tinham que o Império era indestrutível, salvo os cantinhos como Goa Damão e Diu – que também não interessava manter, o próprio Brasil acaba por pronunciar o grito do Ipiranga dado em BOM PORTUGUÊS pelo próprio rei, corado Imperador, para claramente salvar a possessão das traições que na metrópole estavam a acontecer – após a morte de Salazar o processo seria mais pacífico com a abertura a uma Democracia ponderada, calculada, e sobretudo com a introdução de reformas que se tornariam absolutamente imperiosas que viessem a ser feitas para garantir a transição pacífica dos território ultramarinos para um formato de Pré-país até à independência total, mas uma libertação com consciência, pacífica, e sem genocídios que posteriormente poderiam acontecer se acaso as populações não fossem devidamente preparadas, como veio a acontecer.

Porquê então o Golpe de Teatro dos Capitães d’Abrilada!

Para o Leste era importante que Angola caísse nas mãos de comunistas, Moçambique por arrasto, até para que Cuba pudesse resolver parte dos seus problemas internos, e que estariam a colocar em causa a sua relação com a URSS. Isso não seria possível pela luta armada tendo em conta a posição dos EUA com boas relações com o Congo, que não permitiria veleidades, e até era difícil o acesso ao território africano por esse lado – como o era por outros, rebatendo mais uma vez o argumento da guerra, tendo em conta que o acesso teria de ser feito por mar, onde navegavam armada portuguesa e gozavam férias os ocidentais…

Fica claro que, para Portugal e para a sua autonomia enquanto país não dependente do exterior as possessões em África eram fundamentais, e ir-se-iam manter até pela postura que as populações mostravam face à metrópole, que na sua maioria se auto consideravam portugueses, este jamais entregaria os seus territórios pela força das armas ou pela revolução armada interna, a menos que esta assentasse nos militares de patente nascidos em Angola e pertencentes ao exercito nacional.

Se para os nossos governantes isso era claro, também no Leste havia a certeza que o único meio de alcançar os seus objectivos seria através da ruptura de Portugal e do seu governo central, isto porque o poderio militar estava estacionado fora do Continente, e os militares no exterior aceitavam e acatavam as ordens superiores. Não estava no entanto no horizonte destes a entrega dos territórios a uma independência sem controlo, porque promoveria a entrada também dos Americanos na corrida, e estes estavam mais perto, através do Congo, e Cabinda, enclave precioso para os EUA, mas tão somente o controlo das riquezas através do alastramento da influência Comunista à região, atendendo que o bloco de leste dominava a partir de Moscovo vários países, e para tal bastava que o governo português mudasse de mãos.

Tal como lá nas ‘Áfricas’, também em Portugal pouco interessava o povo oprimido, tento em conta que a URSS não era propriamente um assomo de Democracia e Liberdade, razão pela qual o golpe nada tinha a ver com a opressão e os ideais socialistas, já que em 1973 a situação global estava inquestionavelmente melhor na metrópole quando comparada com as décadas anteriores, e Liberdade havia, pelo menos nos grandes Centros, já que nas cidades mais pequenas a implosão seria de fraco registo.

Com a chegada dos senhores que tinham fugido para o estrangeiro, muitos libertados das cadeias porque só custavam dinheiro ao Erário e nada deles era de esperar em matéria de afrontamento ao regime, a situação altera-se completamente.

Os acordos do Alvor são a pedra de toque na descolonização – claramente se percebe que o os comunistas seriam ultrapassados, porque estes se posicionariam para o controlo latifundiário da metrópole, e se possível, a entrega do ultramar com reservas, desde que estes mantivessem a hegemonia na zona, controlando Angola e Moçambique.

Interessava no entanto a certa gente que Angola fosse rapidamente negociada, enviando militares de patente para substituírem os naturais, afim de impedir numa tomada do poder por parte dos residentes excluindo os movimentos desta acção. Percebeu-se um rearmar apressado de um dos movimentos, afim de garantir a supremacia da facção Luta Armada, contra os restantes dois, originários do leste e do norte.

A partir de Março de 1975 a situação agudiza-se, percebendo-se que as ordens que os militares da metrópole tinham não eram certamente para defender os portugueses, mas para garantir que se pudesse entregar Angola ao MPLA sem oposição interna angolana.

Durante oito meses viveu-se um inferno sobre aquela que tinha sido o território da esperança para que Portugal pudesse progredir, com base numa unidade que talvez os próprios Angolanos desejassem, mas que o partido socialista tudo fez para que se desse a derrocada e consequente miséria que já se adivinhava.

Deitar as culpas para o Partido Comunista da descolonização exemplar é no mínimo limpar o rabo ao recém nascido, tendo em conta que a maior força que estava implantada na metrópole, era exactamente o Partido Socialista, que contava inclusive com o beneplácito de parte do exército, não muito interessado que se instaurasse um regime do tipo Soviete. Que negociações estiveram por detrás destes acordos! Que benefício teria o PS para que a situação em Angola se estrangulasse e um potencial perigo de genocídio viesse a acontecer. Porque razão, e sabendo-se desde Dezembro de 74 que a população branca ficaria desprotegida, não se iniciou de imediato a repatriação dos portugueses! Que tipo de traição foi gizada nas costas das famílias que estavam nas denominadas ex-colónias, e porque razão a FLEC oficialmente não esteve na banca das negociações.

De facto Portugal foi traído, e traídos foram os portugueses negros que serviram a nação, sendo que essa traição deve também ser imputada ao PS de então. Eventualmente poderei relevar parte da precipitação com o argumento da imaturidade, mas na verdade é que Judas traiu Cristo por 30 dinheiros, evitando que este alcançasse os seus intentos de tornar Livre o seu Povo contra a gerência de Roma imposta pela força, e em território que não era seu, nem tão pouco tendo promovido a miscigenação das raças.

A 11 de Novembro de 1975 Portugal declara unilateralmente a Independência de Angola – o que não se compreende bem, porque essa declaração deveria ser feita exclusivamente pelo Governo Angolano!

Mas qual governo se nem sequer este estava constituído? A quem entregou de facto o território!

Bem ou mal o PS com grandes responsabilidades, traiu duma só vez vários povos em África porque de facto existiam vários povos e várias nações dentro dos seus territórios, e também na denominada metrópole. Passados 36 anos este mesmo PS, pela mão do senhor J Sócrates no poder há pelo menos 5 anos e meio, promove exactamente a mesma situação, primeiro levando o país ao caos financeiro e depois inconscientemente ou não, criando uma situação de medo de insegurança já com alguns indicadores que se pode entrar a médio prazo uma convulsão social.

Se no passado este Partido, sem consulta popular aos naturais, negros mestiços e brancos, traiu a esmagadora maioria do povo em África, e também os continentais escondendo-lhes a verdade quanto à verdadeira situação militar na quase totalidade do território, em que os comunistas são co-responsável, no presente voltamos a enfrentar uma situação análoga, ao ter escondido dos portugueses a verdadeira situação financeira do país, às portas do colapso, onde a vida destes pouco valor tem para uma Europa Central mais preocupada na defesa dos seus grandes bancos do que resolver um eminente colapso que se perfila para esta Europa construída com um objectivo nobre, mas que os actuais lideres dos países que a constituem, demonstrando-se inexoravelmente imaturos incompetentes e pouco sérios, expõem Portugal ao saque e expropriação da dignidade dum Povo Centenar.

Pela segunda vez, Portugal e o seu povo são traídos pela mesma cor…nem Judas, apresentado como mestiço de tez escura no filme Jesus Cristo Superstar, como reforço do 'símbolo da traição' ao Filho do Senhor, traiu duas vezes!

Nota: Apenas um argumento que vale o que vale, com a sustentabilidade que eventualmente terá, e antes de mais a minha visão de um passado que ainda dói.

Aos Katans que comigo privaram, a todos os militares negros e mulataos do exército português, estejam onde estiverem podem perdoar, mas um há que nunca esquecerá

quarta-feira, junho 15, 2011

Tenham uma 4ª feira perfeita,


Não quero beijos, apenas um, o teu, e para toda a eternidade, de preferência com latidos. Vivo num pequeno apartamento onde só não cabe o teu coração por ser do tamanho da bondade.
Amo-te


VIDA SEM RETICÊNCIAS

Não coloco reticências a poemas
Para podê-los sentir como poesia
Nem retiro ao sonho o sonho
Que é grande o desejo de sonhar
Sabendo que um canhão sem balas
É como peça velha de museu,
E só um amor ferido e transtornado
Terá três pontinhos pró definir

E não os coloquei na minha vida
Nem duvidei nunca desta essência
Que fez saltar crateras em erupção
Rasgar cem ventres, esfomeado
Carente de um simples abraço,
Selo de paz, no final da batalha
Contra meu irmão, da minha cor
Regado com lágrimas de perdão

Enquanto espero, peço, protege-me
Que o meu sonho foi maior que eu
Minha vida teve infinito de labaredas
Mais que todos os infernos juntos,
Meus rios secaram a cada verão
Ao regar o imaginári’onde te plantei
Cavando, fazer ancinho de dedos
Pra espetar’estacas, fruto e desejo

Estou quase lá, perto, junto a ela
Vencida que é quase toda a estrada
Que me separou, barreirou
O direito de lhe oferecer uma flor
Estropiando minha própria alma
A cada batida do coração, sangrando;
De joelhos, curvo, tocar-lhe – gritar
Amei-te, neste silêncio pecador

Cito Loio
Intemporal

segunda-feira, junho 13, 2011

Pessoamania,...!

13 de Junho de 1988 nascia Fernando Pessoa
Eis a minha forma de o homenagear


ALÉM DA VIDA
(aos que a vida separou)

Estavam seus fantasmas’a cantar
Numa roda gira de’alegria
Bailando quase em louca folia
Sem medo de o acordar
Sem pejo ou satânica malícia
Lida em qualquer forma de notícia

Vestiam desbotados velhos trapos
Calção camisa, mangas cavadas
Coradas e bem engomadas
Mas quase meio farrapos
Gastos pelo uso da tristeza
E ajuntamentos com a incerteza

Num breve e solto sapateado
Mostraram Braga o vira do Minho
Batucada no sinuoso caminho
Tantas vezes assaltado
Por um corsário de perna de pau
Horrendo capitão sem nau

Pediram silêncio, em surdina
Que deixasse de viver o tormento
Navegar ondas do esquecimento
Recordar o que não s’ensina
Versos dum poeta amigo
Que apenas fala d’amor antigo

E mandaram de novo calar
Tal poeta é morto bem enterrado
C’a dança era amor’reencontrado
No peito ousado vinha ancorar
Atando o desejo’ao sorriso
Assinalando aquele, o último’aviso!

A mando, abriu-se uma comporta
Permitindo’as águas fruírem
Os demónios obrigados a fugirem
Que um novo valor, importa;
Vencido fora o ‘cabo Bojador’
Situado além da vida, além da dor

Cito Loio
13.06.2011
(há qualquer coisa em mim)

sexta-feira, junho 10, 2011

Homenageando Camões

Homenageando Camões

Comemoração do 10 de Junho



........................................NÃO QUERO PARA MIM

Não nasci pobre mas tal morrerei
Por carregar dentro do peito
A dor de ver sofrer – escravizado
Gente sem condição humana

.
Da voz deste silêncio, implorarei
Que à minha pena não falte o jeito
Para elogiar Camões e o seu fado
El-rei D. Manuel, Vasco da Gama.

.
Que a musa sua se faça prostituta
E a mim, com preço em conta
Venda sua art’engenho e história

.
Permitindo-me que esteja à altura
De vos legar esta obra, pronta
Feita com alma, sem buscar glória

.
Cito Loio

domingo, junho 05, 2011

Eleger é preciso...!

5 de Junho 2011

Eleições Legislativas

quarta-feira, junho 01, 2011

Não se compra...!

Nesta 3ª feira passei pela Feira do Livro, parei no pavilhão do CLUBE LITERÁRIO DO PORTO, dei 2 dedos de conversa com uma menina, Sandra, que fez uma pergunta incrível!!!!! sete meses e meio depois de publicar o livro UMA PERSIANA NA JANELA

«Se o senhor Adolfo não conheceu Maria do Carmo, a sua mãe, como a descreveu da forma que o fez?

Meus amigos: Ela, sabe a resposta…

 
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