quinta-feira, março 31, 2016

1 de Abril


Amanhã é o vosso dia.
Para os que sempre se pautaram pela VERDADE um abraço solidário


METAMORFOSES


In memoriam
(Do amor que me vi impotente de salvar)


METAMORFOSES


Saboreando ‘ tua pele ao rebolar pela memória,
cotejo o passado com o presente, e malicioso
aprecio toda ‘diligência que me pareceu inglória
ante créditos sem aval e teu suspiro auspicioso.
_ fosse a mentira pecado merecedor de punição
advogar-te-ia isenta de pagamento ou caução.

Mas com ligeireza, abalaste sem deixar endereço
espanando anelos, e conquistadora ida ‘idade
ofereceste-me incobrável prenda, que não mereço,
para que em desespero estrangulasse a saudade
tingindo outros rostos, expondo-me ao relento.
- Finda ‘obra rasgava tela desafiando ‘mau tempo.

Persuadido, nada valeu esperar por apelação
abrir ‘facebook em computadores emprestados
correr rastos com ratos, best likes  em desatenção,
teimosamente fingir que não vos via atarefados!
- Dentro imparável crescia sobranceira ‘agonia 
metamorfoseando a penumbra com a luz do dia.

Protegido d’então usando fraques de tristeza
revoluteei ante buzinadelas de calhambeques
e vislumbrado o vindouro ganho dele a certeza
por alamedas esquivado ao abanar dos leques 
sem braceletes nem anéis, laureei desencantado 
que d’animação poética só levaria o herdado.

Remido fogueei o resto das notas em lareiras,
e imperturbável aprumei uma caiada sinagoga
desligado dos valores carnais, exposto ‘rasteiras
penitenciando os pesadelos e sem vestir toga
fiz juízo das crenças assumidas sem fé visível
não viesse o dia que coisa alguma seria credível.

Assumida a desilusão, irrevogável fracasso,
juntei pedras soltas do pós desmoronamento.
- Pincelada ‘ilusão, refinei na escrita o traço
e com audácia dum viking, sem ensinamento,
transpondo bravias tempestades a meu modo 
cicatrizei feridas _ algumas já nem as noto.


Cito Loio



segunda-feira, março 28, 2016

41 anos...Everything's Alright


Debruçava-se Março sobre um Abril que começava com o dia das mentiras, um jovem acabado de sair do Exército do Português dava pela mão de Nuno Viegas Vaz (Director do Departamento de Carga) entrada na TAAG, (Transportes Aéreos de Angola) para exercer (!) o cargo de Oficial de Carga Internacional.

Desconhecia nesse tempo o que lhe reservaria o futuro próximo e a dimensão de uma Ponte Aérea estabelecida e crescente a cada dia e por vários meses.

Desde então guarda na memória a cor das lágrimas de tantos homens e mulheres que a ele se dirigiam implorando que embarcasse os parcos haveres que sobravam do trabalho e luta por terras inóspitas de uma Angola que se inundaria de miséria dor morte e sofrimento. Imagino quantos gritos reteve quando em voz embargada, perante a súplica dizia "embarco sim", sabendo de antemão a impossibilidade de se concretizar tão gigantesca tarefa, mesmo apoiado por Simão Buco, negro simples e honesto, carregador silencioso que nunca hesitou em cumprir o que lhe era pedido, do qual guarda talvez a maior de todas as frases que alguma vez ouviu ou leu, quando inquirindo-o se não tinha medo que os filhos pudessem ser mortos por balas perdidas ou mera vingança respondeu: "Chefe as balas matam mas não matam a fome..."

Senhor Presidente da República, Senhor Primeiro-Ministro, senhores Deputados, hoje pergunto-vos se 41 anos de revolta calada não poderão ser contabilizados para efeitos de reforma. Será que meses afio a trabalhar sob o zunir das balas caindo num telhado de zinco não é profissão (similar à vossa) de alto risco e desgaste rápido!

Claro que não se pretende valor igual aos que V.Exs. auferirão de reforma, mas sabia-lhe bem o vosso público agradecimento.


Inácio, 
Março 1975 a 2016




quarta-feira, março 23, 2016

SOMOS DIFERENTES, NÃO RESTEM DÚVIDAS










.SOMOS DIFERENTES SIM,


O PR ainda está em estado de graça. Até agora tem-se portado como um bom rapazinho por isso ofereço-lhe este poema, escrito por um dos netos de quem foi tão longe e deixou alma e corpo em terras do indígena

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ANTES QUE CAIA O ANOITECER
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Marchamos sob uma bandeira arreada
imposto ‘peso desta Europa irreconhecível,
a mesma que lançou um dia, insensível
milhões de pessoas para uma morte escusada.
- Hoje maculado ‘verde pálido o vermelho
sem projécteis, debaixo fogo de mercados
eleitos governos (por quem d’olhos vendados)
dá voz ao infortúnio num fúnebre cortejo.

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São regimentos ostentando sem fardas,
senhas recolhidas pr’a falida segurança social
do setentrião ao austral, do interior ao litoral.
- No semblante franzir d’expressões amargas
tomado exasperante lugar na fila ao amanhecer 
estômago vazio, que cheio só a esperança
vindo o dia se lhes encha por metade a pança
preferível antes que a terra se veja ‘anoitecer.

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E o poetas canta. - « Vejo o céu com riscas,
múltiplas estrelas pintalgadas a tinta da china,
e em cada translação renovará ‘planeta o clima 
vendo-me saracotear com mulheres ariscas.
- Ensombrado, coberto dia com manto escuro
sem hinos da Champions falsas condecorações
desejo q’escrevam sem ladainhas ou pregões
em anúncio póstumo,«morreu u' homem puro».

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Cito Loio

terça-feira, março 22, 2016

Dia Mundial da Água




 Dia Mundial da Água.


Será o amor um copo cheio de água que se bebe e se urina, coisa que os governos desta Europa têm metido com fartura vendo-se ora a cagada que está a acontecer. Mas como um homem (só) não carrega o mundo aos ombros, resta interrogar-me sobre o amor.
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Porque...
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Amar é dizer palavras sem lhes dar sentido, elogiar a mágoa ao perder o que nunca se teve, buscar em cada olhar o que não sonhámos, repetir mil estribilhos de canções sem letra, ver uma banda passar que desafina e não toca, beijar uma flor em plena época de Inverno;_é deambular por estreitas margens dos rios, subir montanhas ante enxurradas nos vales, usar binóculos para deleitar-se com raios de sol, dizer em surdina sou...quem sempre sonhaste. É ficar retido numa manifestação grevista, segurar ramos de flores pela ponta dos dedos, guinar carros na curva que antecede uma recta, comemorar vitórias sem usar taças com licor, chorar pelo amor, humedecer lábios com seiva, num acutilante grito de Tarzan a trair a bela Jane descendo o Nilo remando sobre um crocodilo contra a corrente por margens plenas de saudade, resvalar pelas tuas costas e com leves carícias provar o resultado fluído de um falso orgasmo.
Porque amar é dizer «basta já não te suporto» mesmo que viver sem ti seja venerar Lúcifer, descendo por escadas a um ninho de cascavéis. E é fazer-se ouvir em gargalhadas num funeral, dançar ao som de boleros gravados de manhã, e entardecendo abraçar um desgastado retrato, ou não fora amar apenas um verbo a conjugar, mera palavra dita por quem já perdeu o juízo…
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do INÁCIO
(para os que me visitam habitualmente, sem penitenciar os meus desaires)

segunda-feira, março 21, 2016

Dia mundial da Poesia



Dia mundial da Poesia
Porque não evocar pensamentos de Camões?


***


"Que dias há que na alma me tem posto 
Um não sei quê, que nasce não sei onde, 
Vem não sei como, e dói não sei porquê.” 

***
“Os bons vi sempre passar  
No mundo graves tormentos; 
E para mais me espantar 
Os maus vi sempre nadar 
Em mar de contentamentos.” 

***
“E sou já do que fui tão diferente 
Que, quando por meu nome alguém me chama, 
Pasmo, quando conheço 
Que ainda comigo mesmo me pareço.” 



sábado, março 19, 2016

Antes que a memória se me vá,

Antes que a memória se me vá



Camões num soneto menor, maior bastante para calar os poetas que alardeiam engenho e colocam palavras vãs nas mudas páginas dos livros que editam, conspurcando a língua (māter) dos poetas onde pela lei da natureza me incluo. 
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CHEIOS RIOS POR MEMÓRIA

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E porque num dia por meu bem chorei 
sei, doravante, que por meu mal acabarei,
confessando-me ainda mal aprisionado,
(despida a indumentária de soldado)
àquela que me deu o céu por esperança
despenalizando-me erros e numa dança
aguarda por minha chegada já sorrindo,
dona dum lar etéreo em que serei findo,
sujeitado nos braços firmes, bem seguro,
um feto, filho nunca chegado a nascer.

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Nesta memória cheios rios transbordaram
sem que desse sentido ao que destroçaram;
_Soerguido, recolhi destroços em desatino
e perdido entre canções sinto que desafino
quando deixo lágrimas de cristalina lama
entre lençóis, tendo o chão por dura cama.

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Por esse impedido ver a luz do dia raiar
fiz da minha vida um calvário sem par;
_ por quem sepultado amando em silêncio,
dei a outros saber colocado em compêndio.

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Cito Loio

sexta-feira, março 18, 2016

império Colonial

A 12 de Março escrevi na Face ...


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Marcelo vai visitar Mozambique! Afinal sempre vamos criar um Império colonial...
Chico Buarque sempre tinha razão


***

Muitos não acreditaram? Pois então cocem-se


***

Agora vai com António Costa a Angola...!!!...e para os mais cépticos ainda vai ser recebido em apoteose precisamente na Guiné, seguindo posteriormente os passos de D. Pedro IV...pois com a bagunça que vai pelo Brasil ainda se torna Imperador sem grito do Ipiranga



quinta-feira, março 17, 2016

Homem por antecipação.


Um dia em Angola tornei-me Homem por antecipação.

De armas empunhadas fiz-me à maioridade sem idade para ser reconhecido adulto mas com anos suficientes para morrer de balas trespassado.

Antes, em loucuras sobre um palco dançara (child in time) guerra entre o bem e o mal onde me equivoquei ao coreografar a vitória do Bem, desconhecendo que o Mal (afinal não morreria) e seria pela vida fora o maior inimigo do homem. Um dia porém, sem penas, gritei meu destino pode ser igual ao de meu avô Adolfo, mas será o meu e dele só eu terei cuidados!

Mais tarde, sem Fé vi-me sem Lar, sem Família sem Amigos, perdido numa terra cheia de gente tão ingénua como eu, que acreditou que a Liberdade é poder dizer o que vai na cabeça chocando essa liberdade com a dos outros - estágio a que denominaram de Democracia.

À minha terra de nascimento, 41 anos depois de me ter iniciado na arte de carregar caixotes na Ponte Aérea que embelezou a Descolonização, sem temor digo que voltaria a carregar o mesmo fardo.
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Aos meus irmãos e irmãs de peito ofereço...



SEM ZAGAIAS C’ SETAS

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Atravessei a infância em sapatos de couro
às vezes correndo descalço pela praia,
brancas sapatilhas em jogos de bola ao luar
feitos os teams sem catalogar ‘cor da pele.
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Crescendo, chamaram-me «índio, mouro,
filho de puta vai com gajos da tua laia
cão rafeiro», sem que me ouvissem ladrar,
sustendo ‘ódio que a um homem impele.
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E foram inúmeras ‘vezes, até na novilhada,
me observaram titã, e de olhos irrequietos
ganhar coragem para dizer u’ dia «pai basta…

…não me sento à mesa c’ gente deformada
que preparam guerras sem zagaias com setas
para aniquilar os da minha própria casta!>

(- Memórias que não ouso querer omissão,
nem pedirei do passado sequer remição)


Cito Loio

(Inácio)


quarta-feira, março 16, 2016

NICO

Desconheço se um homem grande se um grande homem, mas certamente maior que muitos que se afirmam serem o que nunca foram ou serão

segunda-feira, março 14, 2016

Só música

E da boa




domingo, março 13, 2016

Às vezes ainda danço....



No dia da tomada de posse do actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao contrário duma televisão generalista que passava um documentário (in memory) a Marcelo Caetano, dei comigo a dançar esta música...


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...e recoredei-me do banho de gente que este último levou à chegada a Luanda

quarta-feira, março 09, 2016

Quem não sente não é filho de boa gente....!

Hoje toma posse um novo presidente da república. Não verei a tomada de posse nem a despedida do que se marcha porque deles quero distancia, mas não resisto a enviar desde aqui um recado sustentado por um ditado do passado. 


Quem não sente não é filho de boa gente....!



Sr Presidente da República, para a sua saída…e para aquele que chega.



Dispensávamos pensões vitalícias, todavia, 41 anos após a denominada Revolução dos Cravos de Abril de 74, em que tanta gente trabalhou dia e noite nos portos aeroportos, e outros locais, bastas vezes arriscando a própria vida para ajudar os portugueses – retornados uns, fugitivos outros, nascidos em terras de aquém além-mar portadores de BI português sem medir cor credo ou opção partidária – para que todos salvassem além da vida os parcos bens que eventualmente poderiam transportar em porões de barcos e aviões, e sou testemunha viva, nalguns casos, verdadeiras peças de obra, tais como vassouras piaçaba, penicos papel higiénico e muitos mais e variados artigos de igual serventia

Não pretendendo comendas ou condecorações depositadas nas mãos cruzadas sobre o peito;_ apreciaria contudo (falo só por mim) uma palavra de apreço pelo esforço despendido, e apenas dada através de um agradecimento público feito por quem detentor do mais alto cargo da nação, que mais não é que o de sua excelência o presidente da república de Portugal
Não o fizeram antes não o fez o agora em fim de mandato, e tal não constituiu impedimento para oferecer a todos os que desde esse glorioso dia ocuparam a cadeira em Belém algo que me sobrou desse tempo de colonial…esta vontade de escrever a história em verso.


Loucura será o meu pensamento (só até ver),
resultado de esperar há tanto tempo por justiça,
apreciando, e mesmo sem comendas ou flores,
o Obrigado que faltou, colocada em risco a vida
durante meses, numa exemplar Ponte Aérea 
só para embarcar bens de portugueses a valer.



Do tempo que me chamavam  Inácio 


segunda-feira, março 07, 2016

Spas caninos



Será que estes andam pelos SPAS
 procurando amor 

Um dia ainda se inaugura uma boîte
 só para dogs gays



domingo, março 06, 2016

Pobres galináceos

NÃO TOCOU O SOL




Reli; fosses u’ galinha, lustrosos pelos
penteava-te com  escova de dentes;
_ mas ó Zeus, as galinhas não os têm 
e pentes servem para pentear macacos
- Tivesses não obstante à vez de penas
casaco concebido em pele de lontra
competias c’ muitas boas donzelas
trajando ‘Vison predilecto do amante.


Botado redondos óculos espelhados
comprados nas lojas das chinesices
podias concorrer ‘apresentadora de TV
ofertando sorrisos aos participantes;
_ pena, q’as galinhas não entrevistam
nem têm mãos pra segurar microfones,
mas cacarejam melhor que políticos
deputados e outros taxistas de renome.


Coitados (vejo) estes pobres galináceos
mandados pras panelas já depenados
cortada ‘cabeça num golpe impiedoso
enquant’outros debutam por parlamentos
assistindo-lhes reforma garantida 
casa carros banhos em opulentos Spa’s
comprando asas manufacturadas .
- Ícaro teve-as e não ousou tocar o Sol...



Cito Loio
Iniciado a 6/2/2012 

quinta-feira, março 03, 2016

 
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