segunda-feira, novembro 14, 2011

E é verdade...!


METADE É PORCARIA!

Senti o teu coirãozinho estremecer
envolto em carícias, era só lazer
quando a língua, sem temer
fez juras d’ amor! – Não foi querida?

E tu gritavas – O q’ me está a acontecer
que bom amor continua a lamber
prova-me toda q’ já começo a perceber!
_ Que tesura é, ai ai, ser comida!

Continuaste a voar co’ uma pombinha
ávida do troço: Divinal, quentinha
até deliras a levar na passarinha!

Paro, gesticulo, atiro fora a caneta;
Que se passa! – Isto é poesia da treta!
Interrogo-me: vai ou não prá sarjeta?

Mas fitei as estantes duma big livraria
e concluí, metade ser porcaria!

Cito Loio

Não é nenhuma tragédia mas era bom que o Secretário de Estado da Cultura começasse a ler a merda que se publica neste País, claro que se isso não afectar os seus business

domingo, novembro 13, 2011

Um adeus com 36 anos...



NA HORA DO ADEUS

Chegavam aviões carregados de vazio
partiam cheios, levavam dentro
malas pranto e desalento
a voz abafada de negros ardinas
pelo roncar ensurdecedor das turbinas;
deixavam-no só num verão com frio

No alcatrão aquecido negro e magoado
rolando a salvo pela pista
apreciava-os até ao perder de vista
como pássaros de ferro emigrando;
Perguntava-lhe o coração, até quando!
Fazia-se o silêncio mais calado.

Chefe) _ Falta-me esse ai, esse pixote!
Roda a palete e carrega esse caixote!
B) _ Já estás, podes carregá
 malambas pronta prá embarcá
Chefe) _ Tragam a pê ele três
Chica! Enganaste-te outra vez!
C) _ Nãos fui eu, fois o Xisso Mingo
és do cachaça aos domingo
Chefe) _ Tá, recolher a ferramenta
“pior só rebuçados de menta”
B) _ Chefe os tractori fica no placa?
C) _ És toro u tens no cabeça cáca!
B) _ Terminó, fuie bué cansativo,
onde estás caixa dos adesivo?
... (voz feminina longe)
Senhores passageiros, voo seis...cinquenta...
C) _ ais meu orelha já num aguenta!
B) _ És prá fechá os Termináre?
_ Chefi cum’ és in Portugáre?

Avelhentava o ano de setenta e cinco
aeroporto, passava meia-noite e vinte e cinco
menino chefe (!) olhou pela última vez
e reparou no chão – tinha a cor da sua tez...

Cito Loio


sexta-feira, novembro 11, 2011

Dava para o vosso Tejo...


36 anos depois
Independência de Angola

11/11/975
a
11/11/11

Sabem quantas lágrimas verti desde este dia, senhor Mário Soares e comandita.............?

Dava para alimentar o vosso Tejo...

*
DESTE LADO OBSCURO

Sou camundongo, tão larga já a tristeza
anexa à vontade de regressar
tocar-lhe, pegar no meu último choro
e alterar no passado o destino do futuro
_ Imensidão de nada minha única riqueza
buscando noutras paragens teu ondular
fingindo em cada acto, decoro
sem mostrar o meu lado obscuro

Mas percorri a vida aprendendo
q’ o momento tem a duração da eternidade
ao permitir q’ se rompesse o aqueduto
q’ matava a sede, cobrando desgosto;
_  paguei vezes sem conta, não querendo
com versos, com insanidade
de branco colorido – mas sempre de luto
ao alvorecer; desde o sol-posto!

Ergui barreiras, pondo do lado de dentro
o corpo, do outro todo o meu lamento
carregando traços da força dum país

Fraca carne heróica razão, mas enfrento
a distância calcinada pelo tempo
dum relógio parado, perdida a foça motriz
 
Cito Loio

quinta-feira, novembro 10, 2011

O meu canto livre...!


Pergunto-me se alguma vez verei reconhecido, pouco que seja, o talento que em mim existe, se acaso terei de atravessar o Atlântico a nado para salvar os rascunhos onde escrevo as minhas tristezas. Talvez meus anos sejam encurtados, e com isso, consagrado a título póstumo como Poeta: nesse tempo já não terei mais voz para chorar a minha dor expressa neste triste fado, nem actuar onde as lágrimas jamais terão aplausos!

 
QUE GRANDE É O DESCONFORTO
(homenagem a Camões)

Não se entra num palco sem escrita,
falando duma dor q’ não é finita!
_ Teatro há com falas e alguma surdez
sons de palavras tantas, hinos de mudez
que até para dançar, por vezes bailar,
se dita! Antes de se coreografar

Para fazer poemas, também nos damos
corremos, gesticulamos, choramos
ao colocarmos a alma no palco da vida
muito mais larga, mais desdita
a qualquer que seja rua ou auto-estrada
que desemboque no fim dum nada

Escrever é, montar um cenário obscuro
ver sujo tudo q’ antes já fora puro;
_ Actuar onde as lágrimas não têm aplausos
esquecer os números clausus
saber q’ os fantasmas não pagam bilhete
mas vaiam qualquer forma de falsete!

Compor, é andar no tempo aos solavancos
rolar pelas encostas dos barrancos
assistir do banco da praça ao próprio final;
_ Catarse em sentimentos sem igual!
_ Poeta não é actor interpretando dor perdida,
ou a ilustrar originais, cópia empobrecida!

É maior, e para ser maior meu desconforto
Camões cantou tais, em qualquer porto...
... (e escrevia assim Luís Vaz)

«Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que n'alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.»

Cito Loio
(Intemporal)

quarta-feira, novembro 09, 2011


terça-feira, novembro 08, 2011

Se é fogo que arde...!


SE O AMOR NÃO SE VÊ
 (homenagem a Camões)

Para Albertina, mãe e avó, neste 8 de Novembro, dia do seu aniversário; por ela este amor, e por toda a vida.

Se dizes q’ amor nenhum se vê arder
porque me incinera a saudade
q’ em cinzas transformada c' acuidade
cobre meu sonho, ao ‘anoutecer’!

Se agravos co' dizes, não fazem doer
porque rasa morno pelo rosto
alimentando rios, o pranto do desgosto
em fado triste d’ alma a padecer!

Porque escreveste o que não viste
se viria a saber o que sentiste
espelhado nesse semblante triste!

Que amor é, lenho verde a queimar
no imenso e insubmisso mar;
_ e dar-me, por me querer dar!

Cito Loio

Faria 115 anos...!



Poema (no feminino), homenagem às Grandes Mulheres que por terem ideais próprios e não se deixaram corromper foram Culpabilizadas/Condenadas.
Para elas cantado, o melhor Poema da Língua Portuguesa, do Maior Poeta de todos os tempos idos presente e vindouros

SÓ MAIS UM INVERNO


Idealismos numa vontade escondida
Construídos sobre castelos de fumo
Atiram-me para fora do rumo
Impelindo-me a dizer – não assumo
Demasia é expectativa falida

Calma, sento-me num sofá
Revivo histórias vendo quem está

Largo ao vento se houver derrota
Mas esqueçam! – não estou vencida
Q’ esta luta será mantida
Enquanto a vida não estiver perdida;
Matam o caudal? – Abro nova comporta!

Sim, fui traída, e agora feita adulta
Culpada, dum crime q’ não se indulta

E q’ crime fiz, de castigo merecedora
Se pecado foi, por mim, ser honesta
Não vender a alma numa palestra;
Sem amor, dar-me em qualquer festa
Gritar _ humana mesmo que perdedora!

Se condenada sem causa ao inferno
Permitam q’ viva mais um Inverno

Cito Loio
2-11-2011

segunda-feira, novembro 07, 2011

Alves Dias...


 
Vale a pena apreciar este trabalho de tapeçaria portuguesa. Muitas vezes esquecemo-nos do nosso vizinho e adquirimos bens de menor valia artística noutros paraísos, só porque trazem o carimbo internacional
Vamos, consuma que é Português
 

Sem mal que não me acontecesse...!


POEMA dedicado aos que como eu enterraram parte da sua alma em Angola sem mal que não nos acontecesse, de tal a profundidade dessas feridas que ainda hoje pagamos a «aventura de uns metropolitanos irresponsáveis», das mesmas famílias políticas que têm levado (afinal mais uma vez) este Portugal ao precipício.

SEM FALAS AO ALVORECER
(homenagem a Camões)

Tisnou o céu quando a mim arrancada
q' a ela o olhar não chegou a ver!
Guardei sua imagem, anos a padecer
até que minha alma foi trucidada

Intentei a espaços oferecer-lhe flores
sem lágrimas q’ alimentassem rios
com desgraças –  ter ébrios compadrios
se falasse ao alvorecer, de temores!

Mas mataram-me o tempo no tempo
impedindo-me que puro sentisse
tão lúgubre querença; e q’ a merecesse!

Quis Deus e o homem q’ desaparecesse
sem que dela me despedisse,
que cedo ma furtaram, e ao seu alento

Cito Loio
4 a 6 de Novembro 2011

domingo, novembro 06, 2011

Amores enterrados...!


*
FICOU ENTERRADO A SUL

Foste meretriz no alvorecer da idealidade
Ao lamber-te a rata contigo perfumada
Esfreguei-tos os pára-choques, cri q’ te viesses
Para no final gritares, q’ trombada Tarzan!

Senhores! Não s’ ofendam c’ a alacridade
Só expressa imagem duma apetitosa pranchada
E dum amor chorado em silenciosas preces
Sabendo q’ este empenho é vontade vã

E vós, q’ me insultais pela linguagem
Quantas vezes ao espelho – é uma miragem!
O amante? Antes de comidas pelo marido!

Perdoai a este falo q’ só pensa ser lambido;
Dado q’ o amor não aceita pénis azul
Digo-vos, à minha, enterrei-o na margem sul!


Cito Loio

sábado, novembro 05, 2011

Exposta drástica à dor...!


MORREU-ME A LIBERDADE
(homenagem a Camões)

*

Provei tantos lábios, forma cascata
invertida, em tavernas e acendia
dentro, o fogo ardente, e me consumia:
_ rasguei-me, ignorando o que mata!

Enlodei minha alma no sofrimento
amparado, gritava ébrio, estou borracho!
_ que caminho, se neste não te acho;
dá-te, para q’ não finde em tormento

Ela em chacota, de cartucheira ao peito
disparava obuses de amor
com ideais de igualdade e irmandade

Mas certo dia de uma noite sem jeito
expôs-se drástica à feição da dor!
_ morta, levou-me toda a liberdade.

Cito Loio

sexta-feira, novembro 04, 2011

Que a memória me consinta...!


Sem música, fotos, quadros, apenas versos meus...ai!

QUANDO À NOITE CEIFAVA O DIA
(homenagem a Camões)

E tu, que rogaste magoado a Deus
Por cedo de teus olhos a levar
Escreve de mim, q’ estes olhos meus
Nunca a minha puderam ver – ou tocar!

Canta ainda por não teres remédio
Que remedeie a dor de a teres perdido;
_ Se não for mau grado ou tédio
Põe no refrão o que em mim contido

E ao contemplares o escuro estrelado
Verás em cada astro, nome, Maria
Q’ cedo partiu em silêncio deste lado

E sem que soubesse tudo o que perdia
Não tive em conta sair magoado
Do desejo, quando à noite ceifava o dia

Cito Loio
3 e 4 de Novembro 2011

quinta-feira, novembro 03, 2011

A ti dono da pena,


NÃO ME ABANDONES

Não andei poeta meu,
Como tu descalço pela verdura
Meu chão recordo,
Era de terra escaldante e dura

Verdes? Teus prados
Como azul eram tuas bandeiras
Pois vermelho sangue
A cor das minhas brincadeiras

Tu cantaste às musas
Realeza de virgens donzelas
Eu perdi-me por aí
Nas sanzalas c’ algumas delas

Tu escolheste a pena
Como arma, grande escritor
Eu, a tua língua
E a vontade de ir além da dor

Usaste armaduras
E lança de bravo navegador
Eu? Usei a boina
Perdida, sem perder o fulgor

Tu cantaste pátria
Desde o reino ao largo império
Eu, cedido na praia
Chorei a dor do meu cemitério

Cito Loio

   
   

quarta-feira, novembro 02, 2011

A Deus no céu um sorriso complacente...!


Ontem 1º dia de Novembro, fez cinquenta e oito anos que num momento apenas se traçou o caminho sinuoso que iria percorrer até ao dia que se esgotassem as foças e o corpo se prostrasse exangue para sempre. Desde aquele longínquo momento, inventei os minutos com que fui construindo as horas que enfeitam uma história de punições, muitas lágrimas e alguma revolta.

Não guardo em foto o muro das lamentações, valas comuns do holocausto, campa no cemitério ou anúncio de uma missa de 7º dia!

Ao contrário, passeio um nome colado a mim cada vez que respondo quem sou; e sou um ser humano que correu pelos campos da adolescência, escorregou no castanho da juventude, e deitado em fazendas de algodão, contou todas as noites estrelas que formatavam o céu sabendo que desde aquele dia aumentara o número.

Dobrei a meia-idade, e agora mostro a Deus no Céu um Sorriso Complacente, e ao Mundo a Dor em Contos e Poemas.
 *

 ARRANHÕES GROSSEIROS

Quatro patas, correndo solto na picada
Às vezes parando, a olhar para trás;
Mancha em pêlo luzente, cauda arrebitada
Parecia chamar-me – anda, tu és capaz!

_ Au au au, grrr, atira-me esse pau!
Fuça arreganhada, eu fingindo cara de mau

Corria acompanhando o seu hábil trote
Brincadeiras na orla da floresta;
Por distracção, ‘amandava’ pedras à sorte
Q’ a vida era um sempre em festa

Pulávamos enxotando a bicharada
Diversão, vida fácil, merecia ser gozada

Mas voltávamos nem sempre inteiros
Encobrindo, debaixo do pêlo as feridas;
As minhas? Salvas em arranhões grosseiros
Desconhecendo q’ um dia seriam lidas!

Cito Loio
(01-11-2011)

terça-feira, novembro 01, 2011

A...1 de Novembro 1953 !


A casa está vazia, na minha alma há uma ferida profunda; falta-me um sorriso, o ...seu regaço para voar até ao infinito e ver o seu sorriso iluminar o firmamento.
Sim, a casa dentro do meu peito só tem uma aurícula; faltou o ventrículo onde ela se alojaria para depois passear diariamente pelas alamedas do meu pensamento. Tão vazia que adormeço flutuando na esperança, gasta que está a minha cama de tanto lutar contra a ausência.
 
E eu, tão só, tão vazio, como vazio está o meu olhar perdido nos caminhos da procura...sem a encontrar

VOZ DO MEU CHORO

Esta é a voz do meu choro
Sem lágrimas, sem peito ou leite
Grito calado – mãe, q’ padecimento!

_ O q’ feito foi, para tanto sofrer
Se para te merecer no céu
Tiver de caminhar sobre espinhos!

_ Ter nas chagas continuado soro
Mãos em sangue cravos do teu deleite;
Buscar na loucura, alimento?

_ Ó Satanás que afronta te fez doer
Para lançares venenoso véu,
Rasteiras, em íngremes caminhos!


Cito Loio
28/10/2011 a 01/11 2011

 
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