E é verdade...!
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36 anos depois
Independência de Angola
11/11/975
a
11/11/11
Sabem
quantas lágrimas verti desde este dia, senhor Mário Soares e
comandita.............?
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Dava para alimentar
o vosso Tejo...
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Pergunto-me se alguma vez verei
reconhecido, pouco que seja, o talento que em mim existe, se acaso terei de
atravessar o Atlântico a nado para salvar os rascunhos onde escrevo as minhas
tristezas. Talvez meus anos sejam encurtados, e com isso, consagrado a título
póstumo como Poeta: nesse tempo já não terei mais voz para chorar a minha dor
expressa neste triste fado, nem actuar onde as lágrimas jamais terão
aplausos!
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Se
dizes q’ amor nenhum se vê arder
porque
me incinera a saudade
q’
em cinzas transformada c' acuidade
cobre
meu sonho, ao ‘anoutecer’!
Se
agravos co' dizes, não fazem doer
porque
rasa morno pelo rosto
alimentando
rios, o pranto do desgosto
em
fado triste d’ alma a padecer!
Porque
escreveste o que não viste
se
viria a saber o que sentiste
espelhado
nesse semblante triste!
Que
amor é, lenho verde a queimar
no
imenso e insubmisso mar;
_
e dar-me, por me querer dar!
Cito
Loio
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Poema (no feminino),
homenagem às Grandes Mulheres que por terem ideais próprios e não se deixaram
corromper foram Culpabilizadas/Condenadas.
Para elas cantado, o
melhor Poema da Língua Portuguesa, do Maior Poeta de todos os tempos idos presente
e vindouros
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SEM FALAS AO
ALVORECER
(homenagem a Camões)
Tisnou o
céu quando a mim arrancada
q' a ela o
olhar não chegou a ver!
Guardei sua
imagem, anos a padecer
até que
minha alma foi trucidada
Intentei a
espaços oferecer-lhe flores
sem
lágrimas q’ alimentassem rios
com desgraças
– ter ébrios compadrios
se falasse
ao alvorecer, de temores!
Mas
mataram-me o tempo no tempo
impedindo-me
que puro sentisse
tão lúgubre querença; e q’ a merecesse!
Quis Deus e
o homem q’ desaparecesse
sem que
dela me despedisse,
que cedo ma
furtaram, e ao seu alento
Cito
Loio
4
a 6 de Novembro 2011
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MORREU-ME A LIBERDADE
(homenagem
a Camões)
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Provei
tantos lábios, forma cascata
invertida,
em tavernas e acendia
dentro, o
fogo ardente, e me consumia:
_ rasguei-me,
ignorando o que mata!
Enlodei
minha alma no sofrimento
amparado,
gritava ébrio, estou borracho!
_ que
caminho, se neste não te acho;
dá-te, para
q’ não finde em tormento
Ela em
chacota, de cartucheira ao peito
disparava
obuses de amor
com ideais
de igualdade e irmandade
Mas certo
dia de uma noite sem jeito
expôs-se drástica à feição da dor!
_ morta, levou-me
toda a liberdade.
Cito
Loio
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NÃO ME ABANDONES
Não andei poeta meu,
Como tu descalço pela verdura
Meu chão recordo,
Era de terra escaldante e dura
Verdes? Teus prados
Como azul eram tuas bandeiras
Pois vermelho sangue
A cor das minhas brincadeiras
Tu cantaste às musas
Realeza de virgens donzelas
Eu perdi-me por aí
Nas sanzalas c’ algumas delas
Tu escolheste a pena
Como arma, grande escritor
Eu, a tua língua
E a vontade de ir além da dor
Usaste armaduras
E lança de bravo navegador
Eu? Usei a boina
Perdida, sem perder o fulgor
Tu cantaste pátria
Desde o reino ao largo império
Eu, cedido na praia
Chorei a dor do meu cemitério
Cito Loio
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ARRANHÕES GROSSEIROS
Quatro
patas, correndo solto na picada
Às vezes
parando, a olhar para trás;
Mancha
em pêlo luzente, cauda arrebitada
Parecia
chamar-me – anda, tu és capaz!
_ Au au au, grrr, atira-me esse pau!
Fuça
arreganhada, eu fingindo cara de mau
Corria acompanhando
o seu hábil trote
Brincadeiras
na orla da floresta;
Por
distracção, ‘amandava’ pedras à sorte
Q’ a vida
era um sempre em festa
Pulávamos
enxotando a bicharada
Diversão,
vida fácil, merecia ser gozada
Mas voltávamos
nem sempre inteiros
Encobrindo,
debaixo do pêlo as feridas;
As
minhas? Salvas em arranhões grosseiros
Desconhecendo
q’ um dia seriam lidas!
Cito
Loio
(01-11-2011)
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Esta é a voz do meu choro
Sem lágrimas, sem peito ou
leite
Grito calado – mãe, q’ padecimento!
_ O q’ feito foi, para tanto
sofrer
Se para te merecer no céu
Tiver de caminhar sobre
espinhos!
_ Ter nas chagas continuado
soro
Mãos em sangue cravos do
teu deleite;
Buscar na loucura, alimento?
_ Ó Satanás que afronta te fez
doer
Para lançares venenoso véu,
Rasteiras, em íngremes
caminhos!
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Cito Loio
28/10/2011
a 01/11 2011
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