quarta-feira, julho 22, 2015

Mentirosa


 MENTIROSA
 (Do tempo dos biberões de vidro)
Parte desta história foi contada por uma senhora que ia envelhecendo pelas arrelias causadas pelo neto candengue mas que quase sempre desculpava às vezes protegia vá saber-se porquê. A outra confidenciou-ma um amigo de sempre que foi crescendo comigo, arquivando numa só memória muitas estroinices passadas juntos, e mantendo sigilo para evitar queixas ao ministério público decidi atribuir um nome fictício ao personagem principal e que será na extensão do conto o Reguila Candengue.
Todos a postos para engolirem o conteúdo? Comecemos então a narrativa.


  
I

O personagem ocupava naquele tempo o quarto da frente da vivenda que dava para a avenida principal com varanda para a perdição, e mesmo que não conseguisse ver todas as vizinhas a vestirem os pijamas através dos cortinados das largas janelas deixava vaguear a mente de criança pelo imaginário depois de desfolhadas revistas da Playboy ou coisa parecida, ou ainda visualizando filmes de 8 mm com cenas porno proibidas para a idade; mas como miúdo estava, como os seus amigos, catando-se para a pidesca ou um qualquer cipaio armado em polícia política do Estado Novo.

O quarto (convém referir) tinha 3 janelas e duas portas, aliás como seria natural pois ninguém estará a imaginar um gajo entrar no dormitório pela “varanda”, e numa área útil de cerca de 30 m2 coisa grande para hoje normal para o passado, equipado com cama guarda-fatos cómoda mesa-de-cabeceira e espaço para dominar a bola quando lhe desse na telha, paredes pintadas de creme encardido com tanto chuto, candeeiro de tecto ou lustre em risco para além de cortinas curiosamente sempre abertas, razão que se desconhece.

Para ir do quarto para o resto da mansão, chamo-lhe assim para dar um ar snob ao Reguila, havia várias opções, e como os leitores modernos apreciam palha nos conteúdos dos romances e coisas que tais, explanarei as vias de acesso, mas depois não digam ser enfadonho este tipo de descrição.

Comecemos pela «Via A» o acesso mais protegido pois como descrito o quarto tinha duas portas e uma delas, a desta via, dava para os aposentos do pai que por sua vez ligava-se a um corredor onde fora colocado um cesto de papéis aramado no umbral da porta que dava para o salão envidraçado para que o sacaninha pudesse executar cestos de meia distância e afundanços tipo NBA, pois o man era maluco por basket para além de futebol-de-quintal-ou-de-largo, calça aos matondos (não sabem o que é e ficam a saber o mesmo pois não desvendo, enfim tudo o que lhe desse gozo sem ditadoras de régua em punho muito menos numa sala de aulas do colégio privado em que andava, unidade de ensino com óptimas professoras melhores coleguinhas já que mesmo aos nove anos um tipo como ele gostava de olhar os caniços das meninas.
A «Via B» era pela porta que dava acesso à tal varanda, térrea, que por sua vez apresentava 3 opções; B1 descida pelas escadas da esquerda e que davam para a parte do quintal onde costumava jogar as futeboladas com amigos e os cães, ladear depois a vivenda (agora facilito a escrita) e entrar para o salão pelas porta da cozinha exterior enquanto que a opção B2 seria descer as escadas do lado direito da varanda e fazer o percurso no lado contrário ao descrito em B1. Havia outras Bñ mas eram a conjugação das anteriores e a sua explanação nada aporta de interesse à história muito menos ao que de facto este conto encerrar, podendo no entanto quem quiser imaginar o miúdo a subir ao telhado para chegar ao destino, partir uma telha e levar com o avô a correr atrás do fedelho de vassoura em riste, e o desalmado a rir-se, isto na melhor das hipóteses pois às vezes o azar bate à porta e uma queda da altura de 5/6 metros ou mais pode ser fatal, mas a verdade é que tal nunca aconteceu, pois se bem que o personagem fosse desabrido não constava que fosse tolo.

Não passava no fundo de um dos muitos meninos que o sol do hemisfério sul torrara a pele, que se sentava à volta da fogueira, tendo também um olhar brilhante quer oferecia natural encanto e em simultâneo uma expressão estranhamente amarga quando se aproximava do guarda-fatos colocado num dos cantos do quarto. Por vezes, em tardes de Domingo isolava-se enxotando o papão antes de abrir o gavetão dado não querer partilhar com o demónio as fotos guardadas entre livros de colecção 6 balas contos do Batman Super-Homem ou Tarzan, e pegando numa foto rolava pelo chão encerado, sem ficar farto. Eram momentos de revolta agnóstica descobrindo-se na fronte ainda sem rugas o sítio onde um dia se poderia ver a cor e o formato da tristeza.

Ninguém diria, nem eu, aliás como todos os seus amiguinhos, que aquele miúdo que soltava contagiantes gargalhadas secretamente as matizasse com uma dor enigmática. À sua volta tinham erguido uma espécie de muralha da China separando a infância do holocausto que constituíra o seu nascimento, uma protecção divina com base num Deus que ele crescendo foi-lhe decretando morte anunciada por execução irrevogável, não obstante as bíblias proliferarem pela casa e no quadro da Última Ceia onde estranhava só estarem homens julgando que as mulheres ainda estavam na cozinha a preparar a janta para aqueles marmanjões com ar de pescadores das bancas do mercado Vaticano, somado ao facto de a cada sábado a avó ir à missa numa igreja que distava 3 minutos de casa (para ele) em passo caracol, e as beatas alaparem de tarde para lanches sempre às expensas do mesmo Cristo neste caso Crista.

Porém, naquele sábado, um qualquer basta consultarem um calendário da década de 60 e ficam a saber quantos havia no ano, a Pietá de Michelangelo mesmo esculpida em pedra levantaria o pano que cobria o regaço para limpar uma gota teimosa que havia de refrescar o rosto empedernido. Pelas fotos, nos livros do pai, Reguila já visionara as pinturas da Capela Sistina e muitas outras obras clássicas e renascentistas que o impressionavam e sentia-se pequenino perante a grandeza do génio e talento daqueles artistas, não era que fosse um desprovido de engenho, mas a maior apetência comprovava-se por “deixar para amanhã que outros farão” algo inventara para contrariar o ditado popular que escutara cento de vezes a avó, mas que só para ser do contra tratou de adulterar.

Naquele dia a foto que segurava na mão, em tamanho gigante comparada com outras que sacara da secretária do pai estava a provocar-lhe comichão, um certo dejá vu, reflexo da sua fronha no espelho do quarto de banho (que esse objecto estava impedido de coabitar no quarto de dormir por sujeito a estilhaçar-se com uma bolada certeira num remate contra um keeper imaginário) e acima de tudo uma expressão idêntica à da sua tia moreninha não obstante que pelo cabelo não conseguia tirar-lhe a pinta. Como não conseguia decifrar o enigma daquele rosto de homem já calvo optou por devolvê-lo à procedência antes que caísse a estátua da Maria da Fonte ou uma bomba rebentasse no palácio do Gungunhana, e sarilhos já ia ter mal o avô e desse conta que lhe rasgara o jornal do dia.

A tarde convidava a uma ida ao cinema dos putos, um filme para maiores de 6 anos baleizão no intervalo, mas não corria nada de jeito próprio para a idade, por isso a opção passava por o pessoal se juntar no largo do Radio Clube e curtir uma futebolada no alcatrão antes que começasse a chegar o pessoal com os coches para irem à matiné das do Tropical antecedida por uma espécie de baile das sopeiras. A reunião fora agendada para as 16 horas, e se começasse a tempo dava duas horas e pico para disputarem o tremuno, se bem que 1 bastasse pois o que era demais chateava e as energias podiam faltar para subir ao muro que separa o Benfica do pátio do cinema e daí desfrutarem com cochichos os roços de coxas das parelhas ao som de Smoke Gets in Your Eyes dos Platters. Para eles o espectáculo para além de grátis dava mais pica que filmes da Marisol.

Restava uma hora para se aperaltar, calção camisola ½ manga, quedes sanjo, e um pullover para o fim de tarde que no final de Julho o tempo já se apresentava frescote. Claro que antes de sair convinha sacar 10 paus à velhota para uma Bola de Berlim e uma Seven-Up ou Mission Laranja no bar do BL e daí o money – podia estar no encontro um dos criados do pessoal e o negão não ter cumbu para lanches e isso era coisa que o incomodava – o lema de d'Artagnan era para ser extensivo também à malta da bitacaia. Só depois de confirmar tudo no seu sítio, os heróis de banda desenhada na estante, o cão a sacar uma soneca na casota ou à sombra do Coqueiro zarparia para o improvisado recinto de jogo distante de casa 5 minutos a passo de lesma em que só teria de ter cautela ao atravessar um cruzamento (quase me atreveria a dizer 600 m era percurso que teria de cobrir).

A avó encontrava-se na varanda descansando na sua cadeira de repouso, nada de balanço que o velha não gostava, preparada para mais uma leitura dumas quantas páginas do Velho Testamento encharcadas de dogmas que só ela decifrava e contestaria se estivesse para aí virada, sabendo incluso o valor acrescentado que aquelas “cantadas” traziam que fazia enorme confusão a Reguila dado que naquele livro o Cristo e os Apóstolos não usavam roupas iguais à do Mandrake, e por tal não podiam fazer truques de multiplicação dos pães, apesar de já acreditar que podiam andar sobres as águas do mar da Galileia pois Jesus sabia o caminho das rochas submersas o que evitou Pedrocas morrer afogado e tomar o caminho do reino dos mortais. Interessava-lhe contudo, naquele momento, sacar o pilim à velhota e dar de fosques por isso chegara a altura de se aviar em terra que a maré estava a subir e os amigos, se não aparecesse a tempo, substituíam-no por um primo chegado naquele fim-de-semana dos confins do inferno.

Perfilado perante a avó, que naquele tempo não era tão como se pudesse julgar, reparou que a bíblia estava aberta sobre o colo mostrando um retrato de mulher e armado em engraçadinho perguntou.

- Quem é essa senhora?

Havia matéria que nem o Diabo se atreveria a brincar com aquela mulher sem levar troco, e num sorriso matreiro sabendo que o picanço não ficaria por aí, olhou para a imagem, passou a mão por cima quase afagando-a e respondeu

- É a Virgem Maria… a mãe de Jesus Cristo!

Fechado o livro sagrado recostou-se ainda mais aguardando o disparate seguinte – conhecia o fedelho por dentro e por fora e não se enganaria com a matreirice do menino mas estava há muito preparada para dar respostas que nem Platão Aristóteles ou Judas Iscariote tinham capacidade intelectual para as processar. Ergueu ligeiramente o tronco fitando-o dos pés à cabeça que pelo tamanho do pirralho bastava 1 segundo vendo que por detrás daqueles olhos que tão bem conhecia a proveniência o que viria era uma resposta azeda ou uma pergunta do arco da velha.

- Mãe…onde está a minha mãe!

II

Há verdades que não são necessárias que as contemos e ela pelos anos experiência e pela dor de tanta perda sabia que o neto aprenderia com o tempo a distinguir o bem do mal a liberdade da ignorância à prisão da sabedoria. Os caminhos que trilhasse jamais podia modificá-los, mas seria sempre a mão enquanto o seu frágil coração o permitisse – escondera-lhe que tomava medicação algo que pressupostamente não traria ganho ao puto. A 1ª guerra contra a Alemanha, os disparates da 1ª república, os desgostos de alguns falecimentos indesejados e a destempo os 5 filhos que criara e especialmente aquele desalmado não lhe proporcionaram um coração isento de perigos.
A calma no estágio absoluto era apanágio dela mas mentiria se negasse ter sentido uma guinada no peito, um tremer de Maria ajoelhada perante a cruz onde estava pregado Cristo agonizante. Não tanto pela pergunta em si o florar duma certa dor de um luto encapotado mas pela forma e timbre da interpelação. De facto fora mais que uma inocente pergunta, dir-se-ia ter sido uma confissão de (eu sei mas conta-me uma mentira que as verdades ferem) e antes de contestar olhou para os vasos com avencas e fetos o céu para o lado nascente e respondeu exactamente o que ele queira ouvir

- A tua mãe foi morar numa casa pertinho do céu e coo tenho uma chave quendo cresceres entrego-ta

Mais curta fora a guerra das estrelas que o silêncio que se instalou antes do neto falar

- Um dia descubro onde fica a casa e quando lá chegar não preciso de chaves entro pela janela dê-me 20 escudos vou jogar futebol no largo do Tropical

Seguidamente resmungou algo ininteligível e dirigiu-se ao quarto. Esquecera-se do boné se bem que na época dispensava-se e parado junto à cama deixou-se cair de costas e fixando o tecto pareceu-lhe ver a sombra dum rosto de mulher o mesmo tempo que se permitia um sorriso indefinido a aflorar no rosto exclamado – Velha mentirosa!

Faltavam apenas 12 minutos para a hora combinada com os amigos. Deu um salto e saiu deixando a porta aberta, a que dava para a varanda onde a avó ainda se mantinha repousada não reparando que ela apresentava um sorriso trocista pois escutara a exclamação. Podia ser por vezes convenientemente distraída, condescendente até mas de surda nada tinha dizendo-lhe à laia dum até logo ficava-te bem – Se vieres tarde jantas com o cão!

Quando Reguila entrou no parque de estacionamento do Tropical já o pessoal preparava as balizas, e como não havia guarda-redes naqueles jogos as mesmas tinham apenas 1 metro de largura. Caminhava sereno, um certo ar de David enfrentando Golias e no rosto ligeiro traço de enfado evitando contudo deixar transparecer o que lhe i na alma. Não ficara agradado com a resposta da avó mas também sendo muito novo sobrava-lhe tempo para saber a verdade dado não ser menino para engolir histórias da Alice no País das Maravilhas e a Branca de Neve gostar ou não de anões porque conhecia a velocidade com que Bill The Kid sacava o revólver e a cor das divisas do General Custer. Desconfiava que lhe escondiam algo de sua mãe, que a velha só era “mãe de verdade” e não de registo de nascimento e se tal o incomodava 99% do tempo não deixava transparecer esse tipo de desconfiança açucarada com uma taça de mousse de chocolate, e já no meio dos amigos, deixando que a boca se rasgasse num sorriso disparou.

- Madiés depois do futebol vamos às bolas de Berlim?


 III


O que vos contei é quase tudo verdade e envolve um amigo do tempo das fraldas de pano em que nos alimentávamos a biberão de vidro mistura de leite em pó com água fervida numa cafeteira de alumínio, não deixando de ser um pequeno conto para alegrar a memória, história banal igual a tantas outras que como esta não ganham prémios nem são badaladas nas Tvs mas marcaram o protagonista, que despida a farda de miúdo fez-se home m de verdade.



Fim
Inicio a 28 de Junho terminado a 21 de Julho de 2015

Inácio


quinta-feira, julho 09, 2015

Para lá caminharemos


 
 
PARA LÁ CAMINHAMOS
 
 
 
 

 Sentindo que para lá caminhamos, ultimei a decisão de abordar o tema da Grécia, que me magoa e entristece, razão primeira de solidariedade e por transportar aos ombros a enorme traição europeia, à minha família a muitos dos meus amigos e à minha gente, obrigando-me por consciência a manifestar publicamente o repúdio e nojo sentido quanto a políticos contratados que ganham fortunas à custa de impostos aplicados a um povo que agoniza a caminho ada morte lenta e anunciada, antecipando-se o cenário de velhos a morrerem de doenças tratáveis ou superlotarem as filas da doença da fome, não esquecendo ainda alguns comentadores e jornalistas incapazes de disfarçarem as suas tendências politico/partidárias e o medo de perderem protagonismo e outras perdas que daí advêm, ficando-lhes porém bem pensar 2 vezes antes de falar para o povo como se este fosse mentecapto e não soubesse que após a extinção do Crime Lesa Majestade concebeu-se há alguns anos o de lesa inteligência.

De facto e perante tudo o que se tem passado «ditos e escritos» ao longo destes últimos meses sobre a Grécia do Siryza, especialmente na semana que antecedeu o Referendo e uma memória curta que o tempo ainda não permite configurar em história, vi-me confrontado com o regozijo e aplausos à manutenção da desgraça que atravessa pessoas que vivem das suas reformas, inculpados do que foi decidido pelos anteriores governantes, e em que o seu pecado capital foi o exercício do direito de voto, muitos já sem idade para se defenderem da austeridade que se advinha no caso da Europa dos 18 sair vencedora neste ataque brutal que está a fazer e fez ao um povo que apenas rejeita perder a sua soberania e a saída forçada da terra que os viu nascer, para o sonho da Europa do Norte se poder concretizar (segundo o que Adriano Moreira sabiamente referenciou na entrevista de 8/7 do corrente ano a uma TV) e escravizar os países do sul através do dinheiro, algo não conseguido através de 2 guerras hediondas contra quem hoje a leva ao colo.

Triste e magoado sim, mas de boa memória, e por conseguinte decidido a não calar a revolta sobre o que o Governo português e parte da opinião pública disseram e fizeram contra o seu parceiro europeu a começar pelo 1º ministro que devia eximir-se de se pronunciar sobre decisões dum país soberano esquecido talvez por ignorância etária que a pátria lusitana viu morrer milhares de militares nascidos na “Metrópole” numa guerra contra movimentos (entre eles um de má memória com a sigla UPA) chefiados por quem estudou nas universidades em Portugal desconhecendo-se quem pagou os estudos nas ditas colónias as viagens para o continente r quem sustentou durante o tempo que por cá andaram, mas já sabendo quem foram os países desta CEE que no passado apoiaram os tais grupos que disparavam contra pais avós maridos tios e amigos, enfim gente da mesmo país destes novos governantes e comentadores, no fundo uma classe política e afins (com as devidas ressalvas) tão incriminada no processo de fazer ajoelhar humilhantemente a Grécia como aqueles que andaram a apoiar no passado quem matava portugueses, militares ou civis, tão oprimidos pelo Estado Novo quanto os que fugiam para a Europa dos Marcos e dos Francos.

Hoje após assistir à vergonhosa manifestação de ingerência quase ultimato a um país soberano, mesmo depois da vitória do OXI, pergunto-me se há razão para manter esta União (?) tal como ela se apresentou no PE, em que representantes de países enlutados por milhões de mortes pelo Nazismo em vez de exigirem à Alemanha a mesma solidariedade com que foi agraciada perdoando-lhe uma dívida, à época, infinitamente superior ao que a Grécia hoje deve, e que pede tempo para resolver os seus problemas internos dizendo pela boca do seu 1º ministro que querem pagar, desagradando-me a imagem de alguns responsáveis que intervieram no parlamento europeu dia 8/7, onde quase pude perceber uma Cruz Suástica no meio da Íris.

 

Inácio

9/7/2015

quinta-feira, junho 25, 2015

Em desacordo com o Acordo



Declaro-me definitivamente contra o acordo ortográfico, não admitindo que alguém tire as consoantes das minhas palavras ou as altere sem autorização prévia e referendada, razão pela qual subscrevi a petição contra esta medida.


 Eis os motivos que me levaram a esta tomada de posição
 .
A PALAVRA É FEMININA…PONTO FINAL.

.
Trazendo para o cenário literário a verdade das mulheres na menopausa não as imagino mártires demenciais em auto mutilação decepando os seios à falta de serventia, antes pelo contrário, preservarem-nos por questões de beleza mesmo encarecendo o orçamento à compra de soutiens.
.
O corte do «P e do C» em muitas palavras através do inadiável Acordo Ortográfico não evitou contudo a morte por Malária às crianças no Cacuaco/Luanda/Angola, mas facilitará no futuro provável edição dos Lusíadas em Brasileiro pela força dos milhões de eruditos da favelas do Rio de Janeiro que exigirão cantar-se a Portuguesa ao ritmo samba para alegrar as almas dos terroristas “Xacinados” pelos colonos em terras ultramarinas depois da compra total da TAP
Pessoalmente não aceito condenas à ignorância de ser contra o corte das mamas de igual modo que o sou face à novel forma de ortografar português sem necessitar de Angolanos para o exercício desse direito, declinando o convite oficial para «escrevê» do modo que não quero ou desejo.
.
Enquanto português nato e criado no ultramar, aprovado no exame “exclusório” da 4ª classe declaro-me, irreversivelmente, Utente dos Machimbombos de Portugal, não confiando nos Ónibus do Braziu

terça-feira, junho 23, 2015

SE...DESACOMPANHADA



 Como não podes dizer-lhe olhos nos olhos, fala-lhe com a alma

 
 
SE...DESACOMPANHADA

 
Há ventos que correm desfiladeiros
outros, não menos verdadeiros
aliviam as penas, refrescam o rosto
mas não levam  longe o desgosto.
 
Há marés onde perdido m'encontrei
e soprando macios búzios, segredei,
o que não conto nem exponho
guardado para mim enquanto sonho
 
E nos devaneios endeusando o amor
sem armaduras combati horrores
esperando que viesse desacompanhada
quem há tanto por cá era esperada
 
 
Cito Loio



quinta-feira, junho 18, 2015

MORDIDELAS

Hoje partilho com os meus amigos o 3º artigo publicado pelo JN
e que agradeço a confiança


terça-feira, maio 26, 2015

Por opção de pai

 
PO





POR OPÇÃO DE PAI

.
Não partilhei tecto c’ madrasta séria ou puta
que me pai deu douto cumprimento
ao que um dia jurou em altar de casamento,
mas cresci endiabrado a gestos de batuta
ouvindo concertos de música latina
e escravos ao som duma velha concertina.

Decifrei no colo das criadas a honestidade,
feri-me c’ beliscões e pontapés nas canelas
e entre beijos roubados sob a luz das janelas,
indo de xerife a índio por solidariedade
capitaneei exércitos de bravos catraios
em guerras contra filhos de sabidos lacaios.

Crescido foi-se a juventude e com ironia
vivi de tenra idade gravosa desilusão
ameaças de quem venerava a ambição,
e ao quebrar amarras que só eu via
calcei botas, camuflado e negra boina
esquecendo anedotas e a voda de estroina.

Atraiçoado por uma revolta a termo
vesti descrente uma outra farda
percebendo-lhe igual tonalidade parda,
e antes de baleado por um estafermo
devolvi ‘c’ dignidade ao depósito d’armamento
ferramentas do meu descontentamento.

Para descanso reservara nova vestimenta,
e ao rolar caixotes na placa dum aeroporto
etiquetei outros que não chegariam a bom porto
e seus donos por lá não marcariam presença
que a tempestade já anunciava a hora
do destino mortal a quem não fosse embora.

De labuta sem marcar ponto, dias a fio,
observava a cama mantida desfeita,
e no olhar de mãe reprovação de quem suspeita
haver altura que claudicando, num arrepio,
concluiria ser a partida aventura certa
e a vida, numa jovem guerra, coisa incerta.

Finda uma noite que se fazia noutro dia
passaporte na mão 2 contos de sobrevivência
apenas conhecendo lugar de procedência
fiz-me ao destino, que desta me despedia
pisando no chão projectada luz
sombras, deixando antever a cor da cruz.

Ganhava novo estatuto – finalmente órfão de avó!
- Para trás ficavam duas campas de mãe
pagando de bolso mais tarde a de pai também
mantido segredo dum’outra que me deixara só,
e versejando, dotado dum sorriso franco,
embelezei estas rimas c’ letras do meu pranto.


Cito Loio

28/4 a 24/5 de 2015

quinta-feira, maio 14, 2015

Acordo "hortográfico"

Jamais matarei as consoantes e os acentos das minhas palavras. Jamais renegarei a herança de meus pais de meus avós, nem esquecerei o que colhi nos bancos de escola. Jamais amputarei as palavras por acordo, nem escreverei “ospital, orta, emicíclo, "para" quando queria dizer pára, Janeiro com J minúsculo.
Sou dos que nascendo no século passado nunca escrevi Pharmácia, mas não me importo de “fexar” por aqui este assunto. Contudo, nunca obrigarei os especialistas linguísticos a passarem o “vechame” de confundirem cor-de-rosa com cor de laranja, ou começar o hino de Portugal com “Eróis do mar…”

***
  
DA COR DO CAJÚ


Na expressão contida de um rosto negro
que por mim passa, seguro o segredo,
vejo o Cruzeiro do Sul na outra banda
Sagres emergida duma onda que s’agiganta
Cinquenta centavos de castanha de Cajú
a curva da Fortaleza na pesca ao Baiacú,
uma tia abraçando-me com força de mãe
minha avó tomando seu lugar também,
campeonatos ganhos desvalorizada a táctica
braços no ar em companhia enigmática
nos intervalos das aulas passados na cantina
co sonho amante investido de menina
em sadias gargalhadas no átrio do liceu
e tudo o que para trás ficou de meu…

Vejo ‘miscigenação invadindo a metrópole
num monumento que nada deve à Acrópole,
altas serras sobressaindo no deserto
planícies sem dono e eu por cá tão perto
revivendo num quintal eufóricas algazarras
duma vontade adolescente – afiadas ‘garras,
soluços sentidos ao anoitecer tapada a fome
num prato de alerta, aviso que consome
com gritos calados contra a opressão
à minha gente por gentes da mesma nação!

E na expressão de negra sem quitanda já calçada
vejo ainda um passado de tudo ou nada
rio de lama que silencioso desagua
no único mar que banhava a minha rua
e de imparáveis lágrimas se foi enchendo
a conta-gotas c’ enxurradas d’ incumprimento…

Nesse mesmo rosto ainda negro de negra
vi sorrisos dum parto e com surpresa
rugas, e um sofrer também por mim
sob a boina distinta da que perdera no capim,
o olhar protector, o colo de aconchego
quando cedo dizia «mãe tardo ou não chego!»


Cito Loio
18/4 a 13/5 de 2015

(19:51)

segunda-feira, março 23, 2015

LISTA VIP

Todos os países, associações, clubes...etc  têm direito de criar listas VIP se houver pessoas que mereçam tal distinção, e daí não advém mal ao mundo.
Quanto ao caso do Fisco que abalou o país luso, a coisa chia fino dado ser intolerável que a alguém ou instituição possa passar pela cabeça criar algo similar até porque se olharmos para o nosso vizinho e verificarmos que tem uma mansão de 1/2 milhão com piscina aquecida 2 Mercedes não imagina ou lhe passa pela cabeça que tenha comprado tudo com o que aufere do RIS, daí que a criação da tal lista com políticos é uma imbecilidade, diria até atentado à "inteligência pública".

Porém, o mais grave nesta discussão que envolveu membros do governo e dos partidos, comentadores e abusadores, prende-se com o facto do Governo não se demitir, e aí estou de acordo com o o senhor Marcelo Rebelo de Sousa.

Contudo discordo dele quando diz que o senhor Paulo Núncio não tem de pedir a demissão e, cito, até pode ficar no governo pois já perdeu toda a autoridade e vale ZERO!

Aqui a porca torce o rabo.

1º - A fazer fé na classificação de um comentador que até já foi presidente do PSD e até se insinua que pode vir a ser candidato à P. República, dizer que o homem pode ficar  é o mesmo que admitir que os contribuintes e o povo em geral podem continuar a "pagar" o ordenado a um senhor que vale o que vale...

2º- Talvez mais grave que pagar-se a quem não vale um 'tusto' foi a ofensa que o comentador em causa fez ao Secretário de Estado ao dizer que o homem afinal vale 0.

Se fosse eu o SE visado, primeiramente demitia-me e depois convidava o senhor M. R. Sousa para publicamente me dizer cara a cara que valia ZERO.

Mas isso é o que eu faria...pois a minha dignidade vale muito mais que um qualquer ordenado de um qualquer membro da governação.

Inácio,
 22 Março 2015


terça-feira, março 17, 2015

Vítima de engano

Não resisti...porque também lavei as tábuas do meu caixão




VÍTIMA DE ENGANO


Fortificava-se no tempo o Estado Novo,
escurecido nado em cabelo e pele,
usei fraldas semelhantes às do povo.
- E cantando baladas, Blues e Godspell
cedo mergulhei nas ondas da revolta,
e ao beber água de rios lamacentos
mudei com valentia restringida minha rota
ante doutos políticos de fatos cinzentos.

Orgulhoso e só no Regime de Salazar
acenei na Avenida Lisboa a Caetano;
_dum tive 'Opan' e tabuada de multiplicar
e igual ao segundo fui vítima d’engano.

Escurecido o horizonte, ofuscada a luz,
deixo marinar prefácios de crenças
vendo que já pouco me resta ou seduz,

E investigando atrás, podendo emigraria
a desvendar traiçoeiras sentenças
alterando génese e filiação à democracia


Cito Loio

15-16/03/2015

sexta-feira, março 13, 2015

CONFISSÕES




 CONFISSÃO DUM GUERREIRO ENGANADO
(18 de Fevereiro de 1994)

De verde esperança pintou na juventude
muros em castelos sem amuradas
e por pontes levadiças oleados rolamentos
não deu conta que o mundo se alterava
- Pelo Globo rebentavam guerras ferozes
reboliços com símbolos artesanais,
foice martelo – Kalashnikov traficadas…
…tiros que não cheiravam a pólvora seca,
e agraudando-se deu-se por surpreso
pois só nos livros de índios e cowboys
eram as pistolas feitas com tinta Pelikan,
que os caixões que via cheiravam a pinho

( A seu pai nunca dera razão
experimentando a ’arte da revolução;
_ depois atraiçoado, mas incorrupto
mudou a farda decidido a tudo )

Refrescou a esperança com verde rubro,
marcou passo boina e de botas cardadas
camuflando u’ última sobrada cápsula
num cinturão que não condizia com a USI.
- Rastejou por campos sem algodão
tomando ordenações sem contestar,
rebentou morteiros, calculável preço pago
pelos impostos dum pai antimilitarista,
e circulando por ruas dos musseques
percebeu ser da mesma cor a terra atida
q’em criança servia de tapete a jogos
entre risadas fintas, fraternais bassulas.

( E outra vez mais e sem contradição
aguentou de pai áspera condenação;
_ mas fazia-se homem só pelo vulto
achando-se dum querer impoluto…)

Um dia rebentou-lhe nas mãos a traição;
_ assistiu abraçarem-se os inimigos
e com sorrisos celebrarem a derrota
dum povo que primava pela dignidade.
- Deu fé ressurgirem enegrecidas nuvens
chovendo ácido de estranho idioma
e acordos subscrevidos sem referendo
corolários de transferências bancárias…
e emudeceu;_ carregava já o desastre
em cima dos ombros, e obstante a idade,
aguardava pela noite emboscadas
e morte sem telegramas ou aviso prévio.

( E disse ao pai, mostrando resignação:
- Hoje deixo de servir a sua nação,
e se às vezes fui consigo bruto
honrando-o jamais me verão corrupto! )

Numa quarta-feira de cinzas ,fazia calor
encerrava-se um passado de luta,
e definitivo ao celebrar-se u’ missa fúnebre
enterrou o filho o machado de guerra.
- Conservara lembranças de miúdo.
; trouxera-las o pai numa caixa de sapatos
duas malas, ironicamente, de cor branca
atulhadas c’ um enxoval de pouco uso.
- De herança teve também a honra,
valor e o significado da palavra dada
intocável respeito pelo útero materno
e a aliança que os separar a vida toda!

( Dentro muros do cemitério, sem obrigação,
registou testamentário e disse liberto d’emoção
convicto disse: - Saberão que não mudo,
enterrando hoje a outra metade do meu luto.)


Cito Loio
11/13/Março 2015

segunda-feira, março 09, 2015

Cheira a Campanha

sexta-feira, março 06, 2015

Benditas sejam



 
Web Analytics