Por opção de pai
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(18 de Fevereiro de 1994)
De verde esperança pintou na juventude
muros em castelos sem amuradas
e por pontes levadiças oleados
rolamentos
não deu conta que o mundo se alterava
- Pelo Globo rebentavam guerras
ferozes
reboliços com símbolos artesanais,
foice martelo – Kalashnikov
traficadas…
…tiros que não cheiravam a pólvora
seca,
e agraudando-se deu-se por surpreso
pois só nos livros de índios e cowboys
eram as pistolas feitas com tinta
Pelikan,
que os caixões que via cheiravam a
pinho
( A seu pai nunca dera razão
experimentando a ’arte da revolução;
_ depois atraiçoado, mas incorrupto
mudou a farda decidido a tudo )
Refrescou a esperança com verde rubro,
marcou passo boina e de botas cardadas
camuflando u’ última sobrada cápsula
num cinturão que não condizia com a
USI.
- Rastejou por campos sem algodão
tomando ordenações sem contestar,
rebentou morteiros, calculável preço
pago
pelos impostos dum pai
antimilitarista,
e circulando por ruas dos musseques
percebeu ser da mesma cor a terra
atida
q’em criança servia de tapete a jogos
entre risadas fintas, fraternais
bassulas.
( E outra vez mais e sem contradição
aguentou de pai áspera condenação;
_ mas fazia-se homem só pelo vulto
achando-se dum querer impoluto…)
Um dia rebentou-lhe nas mãos a
traição;
_ assistiu abraçarem-se os inimigos
e com sorrisos celebrarem a derrota
dum povo que primava pela dignidade.
- Deu fé ressurgirem enegrecidas
nuvens
chovendo ácido de estranho idioma
e acordos subscrevidos sem referendo
corolários de transferências
bancárias…
e emudeceu;_ carregava já o desastre
em cima dos ombros, e obstante a
idade,
aguardava pela noite emboscadas
e morte sem telegramas ou aviso
prévio.
( E disse ao pai, mostrando
resignação:
- Hoje deixo de servir a sua nação,
e se às vezes fui consigo bruto
honrando-o jamais me verão corrupto! )
Numa quarta-feira de cinzas ,fazia
calor
encerrava-se um passado de luta,
e definitivo ao celebrar-se u’ missa
fúnebre
enterrou o filho o machado de guerra.
- Conservara lembranças de miúdo.
; trouxera-las o pai numa caixa de
sapatos
duas malas, ironicamente, de cor
branca
atulhadas c’ um enxoval de pouco uso.
- De herança teve também a honra,
valor e o significado da palavra dada
intocável respeito pelo útero materno
e a aliança que os separar a vida
toda!
( Dentro muros do cemitério, sem
obrigação,
registou testamentário e disse liberto
d’emoção
convicto disse: - Saberão que não
mudo,
enterrando hoje a outra metade do meu
luto.)
Cito Loio
11/13/Março 2015
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Tornei-me um poeta vil e
debochado,
passei a lamber ratas,
mas cuidado,
limpas, que sujas nem
mentes aceito
e nem é por questões de
preconceito;
_ nunca gostei de papas
de sarrabulho
guisados de bacalhau tal
o engulho
cus com remanescências
de cagalhão
lavados em água
estagnada no verão.
- Delicio-me com bocas
sorridentes
fazendo-me broches
evitado os dentes,
alternando minetes sem
polpa de tomate
com jardineiras que andam
no engate,
alcunhado até ser porco
de linguagem
por ladies que em
trancadas de garagem
encornando o amantes com
o vizinho
simulavam orgasmos,
gemendo baixinho
De longe a longe escrevo
coisas sérias,
condenações a decentes
galdérias
para consolo de
meretrizes (…) legais
que se saciavam c’
prontos de generais.
Um dia, se paga esta
obra 'preço de ouro
trocarei o caqui por
casacos de couro
metendo sobeja inveja
aos coirões
que exibem no peito
certos medalhões,
para de imediato e com
dor de cotovelo
dizerem as más línguas
com muito zelo,
“o gajo enriqueceu à
custa dos poemas
desvirginando galináceas
sem penas,
mas quando lhe murchar o
penduricalho
o mulherio fará dele
menino ao borralho”
Ó Poeta quão
indesmentível foi a tua dor
quando ao povo que
foi navegador,
dada a Lusíada
Epopeia, sem paridade,
desposaste a miséria com
dignidade.
- Como tu, porém mais
pobre e cuspido
morrerei sem pátria,
pela amante traído.
Cito Loio
13 a 15 de Feveriro 2105
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DIA
MUNDIAL
DA
HONRADEZ
16/2/2015
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21 anos após o falecimento de Manuel
Nascimento Oliveira (Lei) m’pai (atingindo a Morte maioridade) decreto unilateralmente...
16 de Fevereiro
Dia Mundial da Honradez
agradecendo-lhe por tudo o que não me
proibiu ser
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Porque era o
seu cantor favorito e a ária da sua vida….
E lucevan le
stelle
ed olezzava
la terra,
stridea
l'uscio dell'orto,
e un passo
sfiorava la rena...
Entrava ella,
fragrante,
mi cadea fra
le braccia...
O dolci baci,
o languide carezze,
mentr'io
fremente le belle forme disciogliea dai veli!
Svani per
sempre il sogno mio d'amore...
L'ora è
fuggita...E muoio disperato!
E muoio
disperato...
E non ho
amato mai tanto la vita!
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Para todos os homens que amam.
Se nada tiverem para oferecer à pessoa amada não hesitem:-
Copiem e enviem-no...
Às vezes os poetas são humanos…
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