sexta-feira, janeiro 30, 2015

SEM LENÇOS A ACENAR



(Poema dedicado a ti, que me conheces bem do tempo da Gajajeira)



SEM LENÇOS A ACENAR

Quantos caminhos pra felicidade
vimos transformados em atalhos
ladeados por acácias caducas
ramagem seca, tapetes gastos
orlas de um rio de leito seco
afastada a foz, longínqua 'nascente

Quantas casas deixámos destruídas
tectos que não serviram d’abrigo
num Inverno feito duradouro
entre um Estio de curta duração
Outono de folhas sujeitas à chuva
e uma Primavera a esgrimir flores

Quantos filhos ficaram por conceber
mães que morreram d’antecipação
mulheres incumpridoras de sua sina
com homens prescindindo d’história

Neste canto singelo a tudo choro
Menos às saudades da saudade
pranto guardado para a despedida
sem lenços a acenar, o rosto a sorrir


Cito Loio
(1973,Inácio)
Recuperado Janeiro de 2015

terça-feira, janeiro 27, 2015

Contos para Crianças




Nunca estive tão de acordo com o senhor Primeiro Ministro
*
Em Portugal não há…Contos para Crianças
Há outros e que mereciam com certa...
 URGÊNCIA 
 ...serem publicados


VÊEM-SE GREGOS NAS URGÊNCIAS


Recebeu o rendimento social de inserção,

magro cheque não chega para o carvão

férias de inverno em estâncias de verão

escaladas ao Empire States em pleno furacão

_ bem-vindo o pastel será devolvido.

_ gastar-se-á num incómodo comprimido

taxa moderadora num quarto arrefecido

‘esmola a quem da pátria fica esquecido’



Pago os IVA’s sem direito a factura da sorte

sabe ‘pobre que a verba não acalenta a morte

sempre ‘tártaro inverno soprou do norte

dispensada identificação no passaporte,

e chegado ‘Natal declara-s’Ateu sem subsídios

amantizando precaridade c’ suplícios

que o Governo pede os mesmos sacrifícios

e os políticos até falam d’indigentes nos comícios



Remate



Logo noticiando os órgãos informativos

alertam para a falta nos cuidados paliativos



[Atacado de Gripe A saúde já fraca

transportado ao hospital de urgência

morre no corredor deitado numa maca

homem, por falta de assistência]


Cito Loio
26-27/01/2015

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Olá de novo

sexta-feira, dezembro 12, 2014

DE MEUS AMPAROS

E assim fui construindo o meu passado

 BOM NATAL







terça-feira, dezembro 02, 2014

Prenderam-no...



PRENDERAM O BENFEITOR


A história que aqui vos conto podia ser verdadeira; era uma vez…
Num país onde tudo se privatiza até o ar que se respira a água que se bebe e estando eminente regulamentação para lançar impostos sobre os sonhos,  criando depois uma empresa pública para colocar à venda no mercado dos malfeitores, escutei num dos bares do aeroporto Sá Carneiro, uma conversa entre João Benfeitor que comentava com o amigo que o acompanhava ter, nessa mesma manhã do 1º de Dezembro, dia da restauração, saído da prisão privada, onde estivera muitos anos por um crime que o próprio repudiava jurando pelos filhos que mais tinha de sagrado nunca ter cometido o crime de pedofilia de que fora acusado.
Dolentemente despediu-se do amigo dizendo, que por castigo embarcava sem rancor deixando para trás e para sempre uma terra em nunca conhecera o caminho para o paraíso.

Senti temores pensando que podia ser eu o benfeitor e questionando-me quantos amigos me esperariam à saída de Custóias ou Caxias, e já em casa escrevi um poema que se foi perdendo na memória e no tempo enclausurado entre a velha papelada que guardo como se fosse um arqueólogo, conservando os escritos até que um dia a alma farta de padecer me leve para os quintos do inferno.

A 01 de Dezembro de 2014 achei oportuno revê-lo lendo-o ao som deste cantante assassinado pelo simples facto de ter nascido “culpado de ter nascido”

Como Benfeitor e Facundo, também gostava de estar estirado na areia até que a cobiça dos homens destruíram os areais da minha juventude.


Inácio
(1/1/2014)
 
Nasce o sol entre grades e cedo
torra último sonho da alvorada
na cela onde nunca morou medo
acariciando uma pele enrugada

Para trás um sinuoso universo,
crimes por provar em julgamento.
- E vergado ao despacho adverso
mataram-lhe ‘esperança sem lamento

Fora esvaiu-se o tempo inexorável;
_ dentro já não rolavam lágrimas
esquecido o significados de mágoas

Vendo presidiário a lei favorável
alisa os cabelos da liberdade
rompendo as ataduras da saudade

(- Questiona, se ‘condenou u´culpado,
o juiz, de um crime não consumado!)

Cito Loio


 
Web Analytics