terça-feira, abril 25, 2017

O QUE VOS LEGAREI







O QUE VOS LEGAREI




Sei q'um dia escreverei invioláveis versos
alargado poema, desconhecido princípio e fim
q'emocionará quem nunca ouviu falar de mim
achando-m'em cada frase homem controverso
para inabalável e na mais profunda dignidade
legar ao mundo toda 'indestrutível verdade.

Cantarei neles dores duma nação ultrajada
assaltado 'povo por quem perdido o respeito,
condecorou com medalhas o próprio peito
desprezando os bravos sem direito a nada
jogando-lhes insultos na forma de chacota
rindo dos que defenderam a própria Europa.

E permitirei que se louve por este punho
e se verta nas folhas duma velha sebenta
os que nascidos nos anos cinquenta
em actos tomados de forma mui louvável
defenderam terra q'era sua por Nascimento,
e outros que o fizeram por Juramento.

Deslizada a pena vereis no que me tornei
e ante memórias que jamais se apagarão
traço ora com letras que se agigantarão
nome do qual por sangue nunca m'esquecerei
que dum Adolfo herdei a vontade férrea,
de Homem, peito aberto à feroz miséria.

Constituídos estes verso num raro poema
saberá a humanidade extinguid'as guerras
só 'valorosos atingem o cume das serras
vendo d'alto quem deles nunca mostrou pena.
- Tardando o dia que este navio atraque 
celebre-se a vida sem os sinos a rebate.

Contudo, anunciada a hora do meu final
e por terminar estej'esta nha última epopeia,
que dela apanhe novo trovador boleia
e glorifique identificado nome de Portugal
por perdida na distância todo 'encantamento
da terra que me viu crescer em sofrimento . 

E de tal padecimento não chegaram avisos
ou sinais de bondade, causando dolo
antes vozes crispadas elevadas em coro
exigiram pena capital em gestos precisos
mui antes de desembarque a porto seguro,
intuito d'evitar saber-s'a verdade no futuro.

Hoje às vezes cansado trémulo o corpo
sustento ainda inusitada vontade de vencer
mantida mesma forma d'estar e de ser,
derrotados 'fantasmas num hercúleo esforço
pois só 'tempo ao engenho dá descanso
se terminada for esta obra num só canto.

Finita a angústia por engalanada praça
do génio o seu espírito imolar-se-á
entre aplausos novo brado emocionar-se-á
ao cantar a força desta antiga raça,
e num olhar de pureza com voz serena
dirá - enfim pôde dar paz à sua pena...

"Pousada a caneta q'um outro se levantou
já em tempo de desterro aceite 'castigo
seguirei destinação do q'antes fora escrito
continuando-se a obra que me valorou
constituindo est'última construção poética
farol que iluminará minh'alma até ora céptica"



Cito Loio

(Adeus mãe, adeus Maria, 

talvez não tarde o dia)





segunda-feira, abril 24, 2017

JAZ VIVO E ARREFECE





Às vezes a memória prega partidas e hoje 24 de Abril, 43 anos depois, decidi oferecer esta prenda aos rapazes da revolução de Abril. 
Bom feriado...



JAZ VIVO E ARREFECE




O tempo tarda, e às vezes nada muda,
o vento morno no quintal não ajuda
nem leva para longe, se solta das rajadas
estridente som das velhas espingardas.

Na noite, incauto pesaroso rinoceronte
hesitante atravessa lesto uma ponte
desconhecendo esperá-lo a morte,
andassem de novo caçadores a norte.

Rio abaixo calma flui a corrente
guardiã de segredos de muita gente.
- Para trás gemidos numa batucada
de quem despedido da pessoa amada.

Pelo trilho não verá santas aparições
antes negras nuvens, complexas visões
sobejadas do tempo da fartura 
que jovem sonhava derrotar 'ditadura.

Uma lágrima rola pelo rosto inclinado
doendo mais 'perde que o corpo magoado
ao ver u' pardal voar que o tempo aquece;
_ numa tumba rasa só a alma arrefece.


Cito Loio
18-20/04/2017
















domingo, abril 23, 2017

E continuo...com semáforos do futuro


...

apitos prateados feitos de latão e luvas sem vestígios de sangue...

...só desceu da memória ao terreno quando alguém ao seu lado, delicadamente tocou no ombro ao mesmo tempo que apontava o verde que entretanto reaparecera no poste do passeio contrário ao que se encontravam fazendo estremecer como se tivesse sido atingido por uma descarga atirada por um raio voltaico.

Ao seu lado uma jovem extremamente formosa, reluzentes olhos da cor do gozo mala a tiracolo cabelos soltos ao desafio sapato raso  sem fivelas vestido liso moldando insinuantes ancas, sem óculos escuros tatuagens ou piercings, dava mostras que o mundo ainda não perdera o encanto das pinturas de Rembrandt mantendo as amarras ao passado, que sem delongas aligeira o passo atravessando a avenida respeitando a passadeira ao mesmo tempo que obrigava o homem que momentos antes alertara para a abertura do sinal a apreciar pela posição retardada o bambolear dum corpo a fugir do período da adolescência.


quarta-feira, abril 19, 2017

SEMÁFOROS DO FUTURO


SEMÁFOROS DO FUTURO




Parou no tempo; para trás deixara dúvidas, certezas que nunca chegaria a comprovar num mar de sangue derramado em lutas pela falta da liberdade sonegada e que a natureza conferira ao nascer, legado que ultrapassara o remoto tempo em que o Homem pela primeira vez colocara em símbolos, palavras ou apenas contos transportados de boca em boca através dos ventos que determinam a existência humana. Defronte ao semáforo fixando o olhar  no vermelho destinado a mandar esperar os peões reviveu ruas onde a sinalética se fazia não por aparelhos comprados num fábrica situada num país qualquer doutro hemisfério mas sim por homens vestidos com fardas brancas capacetes protectores apitos prateados feitos de latão e luvas sem vestígios de sangue...


Talvez um dia poste o resto do conto...

terça-feira, abril 18, 2017

A VISÃO DE FÁTIMA...

Afinal em Fátima não houve uma Aparição antes segundo um Bispo escritor houve sim uma Visão Interior!!!

Este senhor afinal vem dizer que andaram a burlar as pessoas durante 100 anos!!! Claro que ele percebe de teologia...mas visões interiores há 10 décadas só contaram para ele pois nesse tempo ainda não se faziam biopsias, descontando o filme "VIAGEM FANTÁSTICA realizado em 1966, dirigido por Richard Fleischer " em que uma equipa de cientistas (Stephen Boyd, Raquel Welch, Edmond O'Brien, Donald Pleasance, Arthur O'Connell, William Redfield, Arthur Kennedy) numa viagem de submarino através do corpo humano em direcção ao cérebro a realizam delicada operação. 
Efectivamente, como sou herege ateu agnóstico etc, acredito tanto no milagre como nas vacas socialistas terem asas. No entanto aceitava que tivesse havido uma visão por parte das crianças sobre uma imagem formada por nuvens raios solares montes (se os houvesse por ali) e, como todos sabemos a Fome provoca visões, mas estas são externas, porque interiores só se forem em sonho.

Assim e dando crédito ao dito cujo Bispo, os "meninos" viram não a Nossa Senhora de Fátima mas sim um alqueire "carregadinho" com bifes à Monte Carlos com batatas fritas e ovo montado num borrego que comer cavalos só alguns o fazem e esses adquirem denominações pouco abonatórias.

Bom mas como cada um engole o que quer, passar bem até Maio para comemorar mais um, desta vez, Milagre dos Bispos.



segunda-feira, abril 17, 2017

Por engano


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POR ENGANO
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Podia por certo usar uma coleira de couro
passear contigo à beira mar de trela
...
mas ofereceram-me uma pulseira de ouro
alombando passeios de barco à vela.

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Cito Loio
Talvez um dia o publique na totalidade






sábado, abril 15, 2017

Boa Páscoa JOJO



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E só por curiosidade o único negro entre os apóstolos venderia Cristo...mera curiosidade num filme com marca USA corria o ano de 1973

.Como certamente amanhã ninguém vem à NET (!!!)  aqui fica a minha participação para a efeméride

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RICOCHETE EM DEUS

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Na praça de São Pedro reunida a fidalguia
misturada com o povo, de frente a ralé
exércitos da paz, quais hostes do Vaticano,
glorificava-se o Santo Nome do Senhor
e do Filho, análogo filho do Espírito Santo
três pessoas numa só, afirmação bíblica,
conduzido ‘crentes pr’um revolucionário
desconhecendo existência d’Adão e Eva.
- Mais forte a insciência de quem o seguia
porém fraca a carne saída da Santa Sé
promovedores de sodomia, acto profano,
(prós q’usavam sandálias de pescador)
insensíveis aos gemidos e ao pranto,
não fosse sexual abstinência coisa lírica
pois em nome de Deus feita num relicário
violência não incorria em pena severa.

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Comemorando Mafarrico a Páscoa c’ Baco
ria dos olhos arregalados de bela Vénus,
já que um naco dum saboroso presunto,
sem rezas, era como fazer ‘pecado original,
evocar prazeres carnais da Virgem Maria,
assente que, jejum genital (só para saloios
a quem se vedava ‘acesso até ao purgatório)
pois interessava negócio se fosse chorudo.
-Rentável, dispensa dos ajustes da fivela,
era pôr a render ‘três pastorinhos ingénuos
que prós padrecos tal era sigiloso assunto
cheia a pança de “pitéus com muito sal”
que ‘coiso erecto, crime, só fora da sacristia
ficando no átrio da igreja ‘maus agoiros
sabido que certas viúvas concluído velório
era riqueza maior do que ganhar a taluda.

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Passeando a raiva possuído pelo demónio
vociferava o pobre maldizendo a sorte
q’uns pastores pelas fotos não andavam rotos
e desnudos no tempo tampouco ‘prostitutas
distintas operárias, sustento de chulos,
que nas metrópoles aprendiam nobre arte
de enganar o magala ou o Zé pacóvio 
usando cruzes nos colares feitos de fino latão.
- Em romaria, mostrado exacerbado ódio,
abandonada que deixara legal consorte
esbanjada uma exígua fortuna aos poucos
com donzelas conhecidamente astutas
treinadas na vida sem as terem aos pulos,
decide antes que tolhido por um enfarte
avançar pra praça, na companhia dum sócio
que se fazia passar por exemplar sacristão.

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Das lonjuras, envia Satã, cruzando ‘Universo,
raios q’influenciando mentes perturbáveis
penetrando em cérebros prenhes d’adrenalina
diaboliza-o;_ Via-se ‘pálpebras injectadas
olhos pulverizados com manchas de pus
dilatas narinas de fazer inveja aos gorilas,
um crispar de mãos marcas de artroses 
e perceptível tremedeira no lábio inferior,
e entre o clamor dos fiéis um Deus perverso
montado uma passarola d’asas insufláveis,
desce à terra (longínqua ficava ‘Palestina)
pra salvar ’humanidade de golpes d’espadas 
em execuções feitas a coberto de um capuz,
fica estratégico à frente das primeiras filas
e aplaudido por mil de milhares de vozes
fala o Papa aos seus fiéis, eis ‘Vosso Criador!

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E Valumbig oriundo de Sudaunesco do Sul
eleito Sumo Pontífice sem sufrágio popular
(anotava-se 'ano dois mil noventa e sete)
ajoelha-se aos pés dum Deus famosíssimo
sem imaginar que no imenso espaço sideral
perpetrara-se mor crime citado em história
sem propagaçao nos meios  mediaticos 
ou em registo no livro da Sagrada Escritura.
- Súbito atravessa ‘terreiro uma centelha azul,
mortífera, desfechada através d’arma letal
pelo “sniper” Frakis Triatisis du Fenêtre,
que ricocheteando no coração do Altíssimo
termina c’a vida dum crente, qual cena fatal.
- Silenciados ‘sinos morria de forma inglória
por despacho de um grupo de fanáticos
Jojo Peregrino que nunca provara fartura.



Cito Loio
Terminado a 26 de Março de 2017

sexta-feira, abril 14, 2017

AINDA SEM TÍTULO





AINDA SEM TÍTULO

Aprendi 'escrever aos seis anos de idade
esquivando-me malandro a muitas reguadas
que as palmas das mãos eram sagradas
pois já no tempo me fizera poeta de verdade.

E sobre matérias que falavam de milagres
franzia a testa, fazia orelhas moucas
sem perceber porque certas tias usavam toucas
fora do banho e usavam trajes dos padres.

Mais tarde entrei pr'um inolvidável liceu
onde elas davam bola aos rapazes
mas que se mostravam bem capazes
dizer, "vai para a pata que te lambeu".

....

Cito Loio
(continuarei noutra altura se me der na cachimónia)

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Por ser 6 feira santa vejam se descobre de que raio de estabelecimento se trata, e se acaso não souberem ou o Alzheimer já vos assoprar basta aumentar a foto...










DA JANELA DO MEU QUARTO

Porque guardo a imagem do suave pentear dos seus longos cabelos grisalhos, as macias palmadas no meu rabiosque e aquela fé profunda no seu único Deus, escolhi para 6ª feira santa um conjunto de palavras para agradecer o que fez por mim, e tal como dizia nesse tempo, a verdadeira fé dispensa fotos.



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DA JANELA DO MEU QUARTO

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Da janela do meu único quarto
vejo no quintal denso arvoredo,
cultivada enorme esterlícia
pombal vazio entre as avencas
e o resto, tudo de meter inveja.

No topo, cantoria dum galo farto,
crista empinada, porte soberbo,
q'olhando 'galinhas c' malícia
aguardando tenros talos de pencas
sabe o que até para mim sobeja.

Da janela indo além, só não vejo,
finos cabelos espraiados ao vento
entre esgares à hora da despedida,

 Mas recordo o q'em ti me fez desejo!
- Imprevisível temperamento,
emanação duma alma sem medida...

...e um toque nos lábios c'os dedos
derrotando todos os meus medos.

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Cito Loio
(Sem data nem valor)

quinta-feira, abril 13, 2017

Boa 5ª feira com ou sem Páscoa

Sinto-me ainda magoado, dorido, não apenas por fora que por dentro ficaram dores tamanhas que há muito enfrento sem que para elas houvesse remédio que pudesse achar.

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CIRCO DA VIDA

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Tu que fazes da vida um eterno circo
vestes, fresca, caras e coloridas roupas
para bailar ao som do último kizomba,
não vês quão de mim estás distante
pois ainda danço sentidas valsas
uso fatos clássicos de trespasse,
e escrevo no silêncio do meu quarto
cartas que ninguém lê nem as reparto.
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Braço dado c'um amante novo e rico
despreocuada com o que não poupas
desfilas sem ver q'o serviçal alomba
para comprar aos filhos peças de cetim
trajando ao domingo 'mesmas calças,
agredido como Cristo dar 'outra face,
enquanto desprezas seus queixumes
ferindo-o com facas de dois gumes.
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Contrariando Pilatos mudança de latitude
dar-te-ia como única fortuna o coração
sobrad'em vida, tempo de servidão.
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E andante de Roma 'Fátima outra atitude
terei, abertas as celas da servidão,
para sustento, pouco mais que a solidão.

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Cito Loio
(Poemas sem data nem valor)

quarta-feira, abril 12, 2017

É TANGA

Passageiro agredido e expulso de voo da United após erro da companhia. 
Com o avião cheio, a companhia aérea americana queria transportar quatro funcionários e pediu a passageiros para saírem "voluntariamente". 
Um dos escolhidos acabou por ser agredido.
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A somar a isto, temos a Coreia do Norte a Síria, ataque em Estocolmo, a resposta do Irão, aviso da China, o PE a lixar os países para manter o paraíso prós deputados, decapitações armas químicas, a diminuição da população portuguesa em cerca de 2,5 milhões até 2080, o aumento da esperança de vida para morrermos de fome ou sermos agredidos à catanada pelos filhos (não no meu caso que eles sabem que sou o único e melhor pai do mundo) afirmações despropositadas de políticos que não engolem derrotas, ofensas à dignidade dos povos do Sul, situação explosiva na Venezuela, industria farmacêutica a alertar para epidemias, jogadores de futebol a agredirem árbitros, claques quase transformadas em exércitos sem farda, comunicação social a transformar um murro numa cena de execução sumária, e se não chegasse, salvando-se no meio de tanta desgraça os afectos do Marcelo para com os sem abrigos.
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Face a tanta miséria, e colocando uma interrogação quanto à segurança na na visita do Papa a Fátima dei por mim a escrever coisas mais brejeiras...

É TANGA

Dantes pr'uma verdadeira dama dar prazer
bastava chupar-me com sofreguidão 'mangalho
duro troço de carne chamado vulgo caralho
que serv'entre muitas outras coisas para foder
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Presente, prefiro beijos c' saliva no careca
lambedelas c' cuidada delicadeza nos tomates
afim de me prepararem pra duros combates
q'antecedem primeira única e última queca.
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Claro que "vocês inda dão muntas seguidas"
tomadas cápsulas do misericordioso Viagra
que transformam em forte uma coisa já fraca
permitindo montes d'ejeculaçoes divertidas.
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Só que num belo dia e em plena foçanga
sentindo estranha aguda dor no peito
(perdidas forças para abandonar o leito)
concluirão q'isso de tesão eterna...é tanga.

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Cito Loio

segunda-feira, abril 10, 2017

NA BIBLIOTECA NACIONAL



Uma verdadeira bosta, quase parecida com o que escrevi...


NA BIBLIOTECA NACIONAL


Qualquer marmanjo pode fazer u' poesia
desflorar a madre-freira na sacristia
enquanto come sopas de cavalo cansado,
pegar c'a leveza das letras num arado,
puxar como os burros d'então as noras,
e montar éguas sem utilizar esporas.


Bastas vezes tenho dito, fácil ser profeta,
por difícil encarnar o papel do Pateta,
e conduzindo um pequeno Gogomobile
casar nos Jerónimos a Mini em pleno Abril,
apadrinhado pelo excelso professor Pardal
fazer lua-de-mel na Disneylandia sem capital.


Sim que pode queira, até escrever baboseiras
utilizando os PC's em troca das lapizeiras
por mais fácil corrigir um erro gramatical...


Incluso publicar em livro a própria histeria,
casar em Roma Jacob com 'formosa Lia
registando a boda na Biblioteca Nacional.


(Qualquer um pode escrever poesia
não poemas, q'estes carecem de magia)




Cito Loio
(Pemas sem data nem valor)

Viver da herança



Passos Coelho: O Porto é uma cidade que “está parada há quatro anos, a viver da herança recebida” de Rui Rio...

Excelso Senhor...

Primeiramente informo-o que vivo no Porto há 33 anos e nunca recebi herança alguma, antes pelo contrário, perdi o que seria meu por legado paterno dado que os políticos deste país preferiram destruir uma pátria a manter a independência política e financeira de Portugal, isto para não dizer que venderam a própria mãe.
Todavia e antes de falar do Porto para dizer o que disse, se é que o disse em consciência, ou se por mero interesse eleitoralista , "eu" que até fiz parte das listas do actual presidente da câmara, dr Rui de Carvalho de Araújo Moreira, aconselho-o a escutar esta música atentamente.
E para que não perca muito tempo digo-lhe antecipadamente que o Carlos era além de um grande homem poeta e músico, médico, nunca lixou financeiramente este país nem os pobres que votaram em si em 2011, e jamais, fosse vivo, venderia a Pátria.
.
Adolfo Inácio Castelbranco d'Oliveira



domingo, abril 09, 2017

Sem zombarias






NÃO ZOMBEM
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Meti-me por ruas que a alguém pertence
Onde passam automóveis e bicicletas
Carros de bébé, cadeira de rodas
Piões esquecidos d'utilidade do passeio
E gatunos que andam em liberdade.
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Gente bem vestida que não me convence
Outros q'andam a imitar atletas
Alguns q'apressados vão prás lotas
À caça de jovens que dispensam paleio
De quem desaparece sem fazer alarde.
.
E vejo tipos disfarçados de macho
Montra de músculos made in ginásio,
Embelezados c' pós de perlimpimpim.
.
Só a tua pequena sombra sequer a acho
E pela razão perdida de me chamares Inácio
Percorro a tristeza esquecido de mim.
.
(Se por chalaça m'acharem louco
Não façam de vossos filhos pouco)


Cito Loio
6/4/2017

sexta-feira, abril 07, 2017

NÃO OUSO

Ataque na Síria; parece até prova que as imagens apresentadas nas TV's são fidedignas que morreram inocentes. 
Sou contra tudo o que envolve a morte de pessoas especialmente envolvendo crianças, mas não é necessário tanta publicidade em redor do que se passou com o tal ataque que, e segundo fontes de quem o fez, fora atingido um armazém que continha armamento químico (talvez gás-sarin ou algo semelhante) o que me leva a questionar:
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- Que raio de gente que tem isso num centro habitacional?
- Porque existem crianças junto a estas zonas
- Morreram quantas e foram vítimas deste bombardeamento ou são os tais danos colaterais?
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Recuei no tempo, num tempo que se faz longínquo e veio à memória outros bombardeamentos que não mereceram por parte dos "média portucalenses" nem do povo qualquer acto solidário para com as vítimas de então, o que me fez ir buscar algo que escrevera muito antes do ataque em Khan Sheikhoun.


NÃO OUSO


Pumpumpum, mais uns quantos estoiros,
caças bombardeiros turbinas a dar gás
levando estranhas mensagens de paz;
_ morriam crianças? _ até morriam toiros!

Fardado de jovem, vestido d'azul e branco,
evitava (escutando um projéctil que zunia
ao mergulhar sobre o zinco em agonia)
cuspir-me 'monta-cargas a novo solavanco.

Raiando o Sol, em tempo de útil repouso
vinham vagas esmorecidas, confessar
segredos retidos nas profundezas do mar
trazidos em naus.- Desvendá-los não ouso!


Cito Loio
Terminado a 17/03/2017
(Poemas sem data nem valor)

quarta-feira, abril 05, 2017

NUNCA ME MORDEU

Num dos dias que cheguei a casa...




A 4 de Abril de 1992, falecia o senhor capitão Salgueiro Maia um herói que pegou nos tanques pagos com o dinheiro dos colonos, gasolina oriunda de cabinda, bem alimentado na messe de oficiais, vencimento três vezes mais elevado que o dum qualquer técnico superior de saúde na época, camuflado  sem manchas da mata ultramarina, e, rumou heroicamente em direcção a Lisboa para derrubar o Marcelo Caetano, homem que as únicas armas que dispunha era caneta e a inteligência, numa Revolução Abrilista sem comparação na ancestral história lusitana.

Pois hoje se a memória não me engana vão 42 anos que separam o momento actual e a primeira vez que carreguei um Boeing 747 na pista do aeroporto de Luanda, fotografando ao vivo a cores com som e lágrimas os portugueses fascistas que retornavam à terra que os vira nascer, na sua maioria antigos militares que depois de cumprido o dever para com a pátria procuravam noutras terras do Império condição para viverem com dignidade dado que a metrópole era muito boa para passar férias no verão ou para os gajos que metiam o "Chico" andarem a pavonearem-se pelas ruas da baixa Pombalina mandando piropos às universitárias que com sacrifício dos pais, lá iam tendo money para estudar e para abanarem a bunda nas disco da capital, já que pelas "Caves" em Coimbra os estudantes eram todos Chés em que alguns também usavam  barbas revolucionárias, outros tinham carapinha preta sem missangas já que esses artefactos era para o pé descalço dos bairros indígenas.

Sim, 42 anos me separa desse primeiro voo da maravilhosa Ponte Aérea duma Descolonização Exemplar, onde até muitos naturais escarumbas  deram à sola para não serem fuzilados por crime de cumprimento de ordens de quem lhes proporcionava meios para darem sustento aos próprios filhos. Tempo suficiente para varrer toda a mágoa, esquecer a vilipendiada miséria vestida de fraldas, os lençóis esticados no chão da sala de embarque lavados em mijo, as canções chorosas entoadas pelas crianças tão apavoradas quanto os seus próprios progenitores, e o riso dos madiés guerrilheiros de calções que recebias as G3 benemeritamente abandonadas nos depósitos de armamento nos ignóbeis quartéis do exército opressor.

Mas a verdade, é que certas verdades não se conseguem transformar em mentiras, e mesmo estas são perpetuadas pela força do interesse financeiro, pecado original, quase tanto como Incesto da Criação; Caim matara Abel talvez por ciúmes, talvez porque queria a mãe só para ele, ou talvez porque, tal como o 25 de Abril, havia pecados que não poderiam acontecer. Resulta desde esse princípio do principio do mundo tal como nos impingiram, que a memória é traiçoeira e, quando julgamos apagada dela cenas horrendas, uma miserável notícia faz com que se avive e em ez de se apagar volte ao consciente, dando razão à "psicologia" e à filosofia. O Homem é um ser eminentemente social, e a sociedade a razão das guerras e dos crimes, não olhando à incapacidade de defesa dos idosos nem à inocência das crianças, razão pela qual súbito veio-me à memória o trajecto que fazia desde o aeroporto e o largo Diogo Cão junto ao porto de Luanda, o prédio da Cuca, a Apolo XI e o velho Liceu símbolo duma época gloriosa onde até o presidente da república popular de Angola estudou antes de vir, pobre, tirar o curso numa qualquer faculdade do país que ele combatia acerrimamente. 

Mas nestas recordações não podia deixar de parte a imagem do Pitadas, um cão rafeiro, porte pequeno, pelo preto com um losango branco no peito e 3 pés da mesma cor (está na moda chamar menino aos perros), e a suas diabruras com as cadelas vadias, tão vadias como outras que circulavam pelo bairro das putas ou nas avenidas concorridas das cidades coloniais usando colares de rasca lata e mini-saias para mostrar convenientemente o presunto. E desse cão guardo no álbum da recordação fantásticas incursões por quintais  perseguindo gatos, na caça aos pardais, ou simplesmente um relaxar de músculos para vencer a pasmaceira dos dias de férias passadas no  cacimbo, que os desgraçados dos pobres no "puto" a única riqueza que tinham era férias grandes, 3 meses, passadas em pleno verão europeu. Claro que os nativos africanos nessa altura aproveitavam para dar uma escapadela para os países nórdicos que as loirinhas, segundo constava, gostavam de levar com o troço colorido grosso e teso.

De entre tantos disparates que escrevi, existe algo que para além de ser verdade é digno de um homem nunca se esquecer;_ nunca o Pitadas me mordeu...


NUNCA ME MORDEU


Descendo Av. Camões ao Largo dos Lusíadas
apontando para mim a velha Maria da Fonte,
ao repousar o olhar, mostras de testa franzida
à varanda, apartamento no Prédio da Cuca,
contava as ondas miudinhas da baía de Luanda;
_ de noite deixada para trás a Brito Godins
preterindo 'casa rumava decidido pelo Eixo Viário
estacionando a viatura no Largo Diogo Cão.

Esquecia Homero Platão - q' é isso de Tríadas,
Madame Curie, um Confúcio que andou a monte,
e sem toques de buzina na noite perdida
interrogava-me se um Macaco Velho se educa
estaria 'batuque na origem do fado e do samba
pelas lezírias alentejanas corriam saguins 
se os frangos com camuflado eram de aviário...
...e o porquê de nunca me ter mordido o meu cão?



Cito Loio
5/4/2017
Iniciado precisamente no dia que se comemorava 25 anos da morte de Salgueiro Maia, e terminado no dia em que talvez o Pitadas tenha ladrado de alegria ao ver-me chegar são e salvo a casa.


terça-feira, abril 04, 2017

FADO NOVO



Um dia desembarquei em terras lusitanas. Vim para não ficar, mas nem sempre concretizamos os sonhos.

Neste mês de Abril muito se comemora até o dia da liberdade.

Eu que pensava que maior liberdade não havia que transformar os sonhos em realidade!!!



FADO NOVO


Tecia quisesse palavras para um fado novo
enaltecendo o brilhantismo deste povo
grata memória, tarde, não se apagasse
se com novas trovas um'outra voz 'cantasse

Fado, descontadas as caravelas do regresso,
evocativo da força dum antigo progresso
símbolo da vontade sem conhecer limite
pró legado humano, que só 'sonho permite

E que as notas voejando no ondular do vento
envolvessem estátuas noutros hemisférios
indiscutível representação de homens sérios.

Chegada a hora de meu último chamamento
verá o mundo 'conclusão de nobre tarefa
a menos que pelas armas alguém o impeça.



Cito Loio




sábado, abril 01, 2017

Matumbo...eu!



Memórias de Matumbo




1 de Abril, dia das mentiras resolvi oferecer-vos algo que poderá ter acontecido, ou talvez seja apenas mais uma história do passado glorioso em que só um matumbo como eu acreditaria ser verdadeira.









SEM GARANTIA


Forçado viu-se incapaz de estancar a revolta assistindo ao funeral dos seus conterrâneos que preterindo fugas por subterrâneos iam heróis de guerra sem garantia de volta. No entanto guardara na memória pedidos de socorro toques sem nada a ver com código Morse, mas da caneta escrevendo à consorte do amigo Sequeira, Pais, e do Zé do Gorro. Da densa mata guardara ainda agreste perfume, incómodos zumbidos da mosca Tsé tsé, arquitectónicos morros da formiga Salalé e no cacimbo Brandy junto brando lume conservando porém algo mais importante; _ negra carapinha num corpo de pele macia sedutor bambolear de ancas com magia e no escuro da cubata um grito arrepiante. Peregrinando, e ultrapassada dor a custo afagava tristezas com copázios de bagaço refrescando o desânimo sem embaraço aluguer de cama com pegas de flácido busto. Contando célebres combates pelas tascas prendia a atenção de atónitos ouvintes pouco mais jovens, mas como ele pedintes que ingeriam igualmente bebidas rascas.


Findo Outono Inverno Primavera era o Verão, tempo de férias no Portugal colonizador que as novas gerações fruto duma antiga dor estavam-se marimbando pró novo patrão e vinham esbeltas cabelos já desfrisados, algumas até com eles cor do benemérito ouro ostentando-se filhas dos donos do tesouro corteses vendilhões de barris classificados. Desfile em desfile numa gigantesca passerelle Wanda Prometeu ficava de todas a destoar que o seu sorriso enchia qualquer lugar e o andar digno duma nobre mademoiselle. Desconhecida tumba de mãe, paradeiro do pai, agradece a educação a uma família chinesa (vestes calçado e o que lhe oferecia a mesa) até que um dia teve esta de regressar ‘Xangai, fazendo-se contudo mulher de predicados expressando-se diligente em bom português, sedenta de conhecer alguns dos porquês de ser Europa atractiva à prática de pecados.
Aprendido inglês francês e até o alemão, fazia-se ainda jovem às pistas mediáticas deitando pró esquecimento cenas dramáticas ao aprender não existir futuro em 2ª mão… Descida em terras de bom acolhimento apreciando o aeroporto, sorriu, via-se feliz; _ não lhe escaparia um lugar de actriz ou não fosse como mulher um monumento. Rendeu-se lusíada terra à nova locutora percorrendo-o numa anunciada digressão tomando nome artístico “Wanda Leão” dizendo entrevistada nome da progenitora.


Escutando o dito na TV Rosalino estremeceu. O aspecto da rapariga era-lhe familiar como era inconfundível tão expressivo olhar, avivando-se-lho nome de Josefa Prometeu, transbordada a mente por rios de incredulidade, e perante gritos de “sangue do meu sangue”, deixou tombar a cabeça já inerte e exangue trespassado por cúpidas setas de saudade. Pode mais a vontade que seu parco recurso atirando-se o homem com destino incerto posta a dúvida se algum dia dela chegaria perto ou se o aceitaria no final do árduo percurso, e rompido um sábado em tarde solarenga quis o destino que acontecesse o encontro sem acautelar se Rosalino estaria já pronto para receber Wanda Prometeu de prenda.


Passeando com um amigo pela cidade do Porto resolvemos, chegados à praça dos Aliados tomar mos um café, e rindo descuidados escutei esta história pela boca de João Corvo. Tempos mais tarde, vestido na pele de Cito, partilho este conto percebendo-se afinal nem só de terror se viveu o tempo colonial, e a prová-lo, isto que aqui vos trago escrito.


As histórias nem sempre se fazem de incógnitas, e esta, por força duma mera casualidade, tinha marcada um final pleno de felicidade por haver quem ostentasse forças faraónicas, e corridos dez anos do café tomado com Corvo celebrava este a chegada de uma neta, de aparência, disseram-me, mestiça pela certa que só para gente vil constituiria estorvo. Tardou mas vim a saber que Segismundo casara com a filha de Josefa Prometeu, ela crente, ele declarado um convicto ateu nascido numa zona que chamavam Bailundo.


De narrações como a presente, assaz irrelevante, e que não posso garantir ser verdadeira, existem diversas ornadas da mesma maneira, mas que a memória só pelo silêncio o garante.



 Do Inácio ao  Cito Loio
28 a 31de Março 2017

 
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