quinta-feira, fevereiro 25, 2016

O Vinho

Num grito agonizante, digo sim, sim ainda,
sim, ainda amo c’ amor, termo tão banal
tido como herança dum querer intemporal,
folgando c’ valentia do Cunene a Cabinda,
tu «jazendo» nas terras agreste do norte,
eu tão só, ainda ‘pagar erros fitando ‘morte.


Os políticos deste País deviam escutar as palavras expressas em EL VINO


quarta-feira, fevereiro 24, 2016

(Ou o outro lado da lua)


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CHAGA DE PALAVREADO

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Gostava de subir até ao sol por uma grua
brincar diariamente vinte e quatro horas
empurrar os baloiços do meu jardim
mergulhar nas lagoas para escutar as rãs,
e correndo do parque Heróis de Chaves
apanhar um autocarro para a Vila Alice;
_ no caminho zombar c’ a Maria da Fonte,
interpelar ‘negra de panos «porque choras
vê que ‘tempo também passa por mim»,
acordar espreguiçado chegada ‘manhãs,
banir da existência todos os entraves
e nunca ser obrigado ‘dizer que chatice!

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Pudesse, fazia o globo girar ao contrário
dextros escreverem como esquerdinos
homens obrigados a respeitar as crianças
mães poderem embalar ‘próprios filhos
as amas a tomarem conta dos idosos,
e governos, liderados por zelosas abelhas.
- Partilhado o mel com cada infantário
dava por ilegítimo quaisquer fanatismos,
postos véus, longas ou alisadas tranças,
a vida subscrever poupança de sarilhos
os rios desaguarem por mares cautelosos,
preterirem ‘casas paredes portas e telhas.

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Por onde m’encontrariam, trono reservado,
ondas dum mar que afastado a cada maré,
sem as naus que um dia cruzaram oceanos
levando avós a viagens por terras inóspitas?
- Que país supriria ‘terra que me viu chorar
desde menino sem traições ‘protagonistas,
senhorios do desígnio que m’estava negado
em repúdio ao que sempre considerei ralé
utilizadora d’armas, capaz de dobrar canos,
referendadas ’vontades mesmo q’ insólitas…

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Ulterior, no circo feras c’ unhas de verniz
traçavam frenéticas ‘pernão enviando SMS,
‘grátis’ pra todas as redes e num só cartão!
- Que mais podia querer! Um pouco de paz
além da materialização dum sonho infantil,
ursos ‘pedalarem bicicletas sobre o palco!
- À vista, larga encenação, aplausos à actriz,
e repudiada arena por estar pejada de fezes
num assomo de valentia abracei-m’à ilusão
que no cemitério cresciam tabuletas Aqui Jaz
e nas matas seriam ‘cadáveres mais de mil.
- Já isolado preparei-me para mais um salto.

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Perfeita a natureza retirou-me a juventude,
e sem ticket, admitido no ventre da toleima 
simulei rasgar os lençóis da puberdade,
para menor já fardado, autorizado ‘morrer
evitar combates com as bombas da risota
contando balas sobre um telhado de zinco.
- Conservando do passado tudo ‘que pude
largada já a protecção paterna, à queima
expus-me frente aos canhões da maldade
desconhecendo que o futuro viria a correr.
- Enfim soube que mantivera ‘planeta a rota
mas só subsistir ‘verdade porque não minto.


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Cito Loio
3/2/2016 a 13/2/2016

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Viajamos num barco frágil de papel

Para os amigos afirmando-me solidário com as vossas mágoas, deixo este singelo poema, prova de também de ter atravessado, igualmente tempestades incontáveis.
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LARGO O CAMINHO
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Tão largo o caminho que ainda percorro
entre a fria solidão num cais de partida
e a amaragem à gare plana da infelicidade;
_ do antes nunca (a Schi) pedi socorro,
tempo vivido sem nunca comprar guarida.
- Descoberta, não me atrapalhe a idade.
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Tardava, assomo de valentia sem bengalas
abri portas ao q'ofertasse presente e futuro
e vindo desse o que do então já perdera.
- Levantando baças e molhadas palas
de novo arauto sem armas, firme e puro,
debrucei-me sobre o que antes escrevera.
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Que poemas meus! Sabendo-os dolentes
rasguei por vivo as págimas mais recentes
que o futuro não reescreveria o passado.
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E ladeira abaixo vindo um vendaval
vi mais festa na morte que no Carnaval
sabido 'vida um bem intransaccionado.
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Cito Loio
sem data




quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Faltam filhos feitos na madrugada...

Que Europa esta...quando se afirma ser insustentável sem migrantes!
Agora estão a dar fé que deviam ter proporcionado aos casais jovens a possibilidade de terem filhos sem os mandarem pela pia abaixo.
Muito mais conjecturaria sobre o que tem vindo a ser perpetrado, mas hoje fico por uma suave canção de Zeca


QUANDO A LOUCURA AFECTA
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Esgotou-se o tempo dos filhos da madrugada
confrontados com «lá vamos cantando e rindo
levados levados sim…pelo som tremendo»
ora elegido um Marcelo – comentador amável
(disfarçada candidatura em 10 anos televisivos)
52% de votos, que finda eleição, pescam nada.
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Recuando décadas lembrei-me doutro Marcelo
senhor de ideias (dizia-se por aí) democráticas,
que não dando ouvidos (quando pode) a Salazar
armou-se aos cucos – sem dar fé, contemplativo,
q‘estrume nem sempre cheira mas conspurca,
quando deu conta, tinha levado com o martelo
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Este d’agora, subido ao mais alto cargo da nação
conselho atendido, (olvidado o curso de Direito)
imediato tratou de enviar sorrisos à esquerda
não vá o diabo tecê-las e circularem tanques.
- Claro impensável um novo Salgueiro Maia
sair do quartel do Carmo pra fazer nova revolução…
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Loucura será o meu pensamento (só até ver)
resultado de esperar há tanto tempo por justiça,
apreciando, e mesmo sem comendas ou flores,
o Obrigado que faltou, colocada em risco a vida
durante meses, numa exemplar Ponte Aérea 
só para embarcar bens de portugueses a valer.

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Cito Loio
Terminado a 31 de Janeiro de 2016


Sem palavras

sem palavras....


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terça-feira, fevereiro 16, 2016

Carta de despedida

Carta de despedida


A ti, meu pai que partiste nesse 16 de Fevereiro de 1994, 4ª feira de cinzas.
Sei que 22 anos é muito tempo, talvez uma eternidade, todavia insuficiente para pagar os erros que cometi a seu tempo. Nunca te pedi desculpa por saber que certamente não as encontrarias nos meus desvarios, não fosse a minha vida também constituída por incontáveis revoltas ante rasteiras e traições que ficaram por julgar.

Como tu também fiz luto, se bem que sempre vestindo uma pele amorenada. Se viúvo por mais de 4 décadas foi empresa épica, ser órfão toda a vida foi o tributo que paguei por ser filho silencioso, respeitando a dor que coabitava no teu peito, razão bastante por nunca te ter perguntado ou falado na Maria do Carmo.

Que me perdoes mas nasci assim, cresci com o diabo pintado na corpo, e tão vivo que ainda hoje o sinto à flor da pele, mas nunca me esqueci o significado da pasta que trouxeste de Angola em 1982 contendo os meus poemas entre as duas malas que te restaram de património após uma vida a trabalhar para este Portugal na longínqua Angola.

A razão dessa decisão só mais tarde a percebi, pois antes de mim descobririas que nascera com o engenho e arte de saber sofrer, que nas trevas daquela África profunda, desafiando o Adamastor, daria ao meu nome mais outro apelido.

Este é o meu ultimo tributo a um homem que foi grande, e de tão grande se fez enorme no silencio da própria morte. 


Para ti o teu cantor de eleição





CEDO DESACAUTELADA


À causa de meus erros tiveste má fortuna
 vendo-me incapaz, quando envelheceste
sabendo que por mim sequer viveste,
evitar-te a dor, toda a dor inoportuna.

Presente, em repouso nesta  memória,
que falta me fazem teus silêncios
ao caminhar solitário entre incêndios
sabendo-me impedido de obter glória.

Pudesse dar-te-ia de sorte o que resta,
restituindo-te aquela que foi enlutado amor
e que de mim se viu cedo desacautelada.

Vindo o tempo que me vá, faça-se festa,
pagando minha alma, justo pecador,
à falta de a fazer, só por ti, presenteada.


Cito Loio
Adolfo Inácio Loio Castelbranco Oliveira 


domingo, fevereiro 14, 2016

Dia dos quês!




POETA É TER POUCA SORTE


Poeta é, saber descrever o silêncio
colar ao papel pranto de trovador,
ouvir em Amália a voz de Camões
aquecer a alma à chama da velas.
- É ver mulher séria numa prostituta,
rimar galhofeiro azar com morte (!)
.
Saber pintar com choro u’ incêndio,
dançar samba escondendo a dor,
brincar à cabra cega com intrujões
abrindo a sopros as porta das celas
- É conduzir orquestras sem batuta
rimar tragédia com pouca sorte (!)
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Não é ser só maior que ‘pensamento,
antes rédito satânico da encarnação...
...produto da unidade pelo infinito…
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Ser comediante por um só momento
esgrimir ‘verbo contra a maldição,
expirar d’amor sustendo ‘ultimo grito.


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Cito Loio
28/12/2015

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Já dança comigo...





RUGAS DE MULHER




Não há melhor que as rugas da mulher
para em segurança a língua “surfar”
misturando mel na ponta duma colher
com Pau de Cabinda até vê-las arfar.


Entre gemidos de aprazimentos genitais
divertem-se com ginástica doméstica,
contorções seguidas de cabriolas mortais
esborratando os efeitos da cosmética.


E cuidem-se com ‘possíveis arranhadelas
pois isso de andar à toa em lambedelas
fica caro, em fármacos ou tintura de iodo


Patente ser desconhecido melhor engodo
desfrutem nas ondas dum fofo colchão
tomando cautelas, não aparecer o papão


(Se vier, seja de vassoura empunhada,
que perigo maior é de pistola carregada)





Cito Loio

sexta-feira, janeiro 29, 2016

E não é ...que é verdade

Quanto há de verdade nesta canção


quinta-feira, janeiro 28, 2016

Era negro...!


Fantástico filme americano, pátria da abolição da escravatura e da igualdade de raças. Curiosamente o único apóstolo negro era precisamente Judas Iscariote que traiu Cristo….! (movie Jesus Christ Superstar made in the 70´s)
 

 .
UM ESTRANHO CAUDAL
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Queria ter nascido c’ talento camoniano,
mas impediu a bem-aventurança tal ensejo,
e se não bastasse, alcançado final de ano,
vejo-me desprovido do que mais desejo
.
Meia-noite, zoada já na última badalada
de olhar perdido no longínquo firmamento
colhi uma estrela que provinda do nada
amenizou com pálida luz ‘meu sofrimento
.
Sem precações por demais surpreendido
descendeu do crucifixo Cristo estarrecido,
e abraçando-me falou de igual para igual…
 .
«Irmão, passado este último ano, tal e qual
vejo-me reflexo numa outra cruz pregado
permissão dum Deus por mim nunca negado»
 .
Distante ‘festividades atestamos o Jordão,
rio cujo caudal tem origem no nosso coração
.
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Cito Loio

terça-feira, janeiro 26, 2016

Decano e peregrino


 



SOU DECANO
.
Sou decano na arte de bem sofrer
perdido amores, uns sequer confesso
outros que nunca cheguei a saber,
e agarrado ao tempo sem regresso,
filhos que nunca chegaram a nascer.
 .
Perdi de tudo, e no árduo caminho
faltou tão só perder a esperança,
tantas as vezes que me vi sozinho
igual quando brincava armado criança
rasgando calções de fino linho.
 .
Posto o saber num último projecto
vi-me avelhentado sem valoração
que idade não chegava de garantia.
.
Restou alinhar ‘sobrado de concreto
avançado em verso ‘que vê ‘coração
até ‘chão fazer-se coberta um dia.
Cito Loio
 

 

segunda-feira, janeiro 25, 2016

Há cada percalço....









CUIDADO COM A VIZINHANÇA


Acariciou d’entrada rala pentelheira
exibindo um’alva alinhada cremalheira,
e famélica dada a ares de comilona
enfiou suspirando o caralho na cona

Efebo ainda à beira da fortuita loucura
nas mãos da lambisgóia, Lisa Segura,
apenas lhe restou deixar-se possuir,
e num fraquejo soltou, estou-me a vir.

A percalços qualquer gajo está sujeito
foda com destreza, falte-lhe o jeito,
ela meio em silêncio ou fingindo arfar

Jotinha porém esquecera ‘preservativo
quiçá por ainda ter dentes de siso
pagando caro ‘erro levando Lisa ao altar

(Vencidos seis meses nascia uma criança
motivando falatório a toda ‘vizinhança)


Cito Loio
24/1/2015


domingo, janeiro 24, 2016

Uma questão de imposto





NÃO PAGUEM IVA





Resolutamente pus de parte o vinho
trocando-o pelo sumo vaginal,
aconselhando o mesmo ao vizinho.
- Retorquiu, provei e soube-me mal.

Pensei então, este prefere espumante
pascer bacalhau ao pequeno-almoço,
ou trocou a mulher pela amante
julgando que o camarão… é tremoço !!!
- Comigo soube sempre a champanhe
que bebidas a assistir coisas picantes
nada melhor que as acompanhe…
que sucos – licor de Baco era dantes.

Qual espanto nesse fim-de-semana,
cruzando-me c’o esquisito casualmente
ele disse– Ontem até rangeu a cama
daí fico-me c’ a esposa para sempre…
…coisas da vida amigo com sentido
que sumos naturais são do baril,
e cá o rapaz vai morrer convencido
um dia a orgasmos s’encherá u’ barril

Desandei na cara um sorriso de troça
humedecendo os lábios com saliva
soltando sem intenção – puxa nossa
que os minetes nunca paguem Iva!


Cito Loio


 
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