segunda-feira, abril 07, 2014

Por roubar 70 cts



POR
COMER 
UM 
PÃO


Conta a pobreza sobra mão firme
q’ aos ricos (pa defesa) gastam milhões;
_ roubam ‘liberdade ao largo do crime
evitando visitas (anunciadas) às prisões

« Protele doutor entre c’ outro recurso
se preciso avance pó tribunal europeu
que o projecto não foi a concurso
e corrupção havida…culpa tenho eu!»

São os corredores do lusitano poder
onde u’ processo por tempo prescrito
é noticiado atenciosamente por televisões

«Brindemos hoje a farra é a valer
de entrada o que temos aí escrito!
«-Temos de tudo até mexilhões…»

-Longe d’olhares por roubar pão
apodrece um padeiro na prisão.


Cito Loio


quinta-feira, abril 03, 2014

ROSAS DE ABRIL



E vão 40 anos…!




Schi
 ...deste que ainda hoje está em movimento  sem saber como e quando morrer!





Pensando neste mês do longínquo ano de 74 dei volta aos papéis (que a memória não se apaga mas às vezes falha) e fiquei surpreendido com o que escrevera há 40 anos…se bem que seja uma espécie de poema alusivo ao que começava a acontecer na Metrópole e também no Ultramar não obstante só se terem passado 5 dias após o famigerado dia dos cravos

 
Hoje, pudesse, mudaria as flores e o poema para…




NOVOS NAVEGANTES

Visíveis embarcam em novas caravelas
rasgando céus por rotas d’internets
sem cheirarem ou verem sereias belas
nos ecrãs das modernas manchetes,
e viajados com volta anunciada
trarão de prémio a alma desolada

Mas darão fantástico contributo
a outras gentes, q não são as suas,
e cumprindo ideais que não discuto
herdarão  pitorescas paisagens nuas,
a conta bancária vazia e selada
numa pátria entretanto já encerrada

Cito Loio

3/4/2014

...e o slogan para  

ROSAS DE ABRIL.

Também o poema em anexo serviu para, perceber o quão actual é e reflectir sobre a evolução da escrita, a maturidade do homem, o engenho do poeta, e se permitem a ousadia direi que era tão Genial em 1974 como sou agora (riam-se) com a diferença de estar ora amadurecido, certas feridas cicatrizadas e outras constarem do incentivo permanente ao Trovador com tanto ainda para dar e…perdoem-me as lágrimas se algumas delas alagaram os vossos floridos jardins!

Feliz Abril 2014










terça-feira, abril 01, 2014

Leilão....


quinta-feira, março 27, 2014

sim...





DEUS É MESMO SACANA


Deus é um gajo tão sacana tão sacana
que pôs a mulher a servir na cama,
e não contente, criou as prostitutas
para concorrerem com as outras putas

Diz ‘ditado, por não haver duas sem três
resolve baralhar tudo outra vez;
_ e pa lixar ‘fêmeas inventou ‘maricões
que se passeiam por iguais salões

Assim o homem, entre loucuras do Senhor
foi perdendo vergonha, ganhando vigor
até q um dia, aos zigue-zagues, atónito
saberá que afinal não passa dum vómito!

Rebelado erguer-se-á contra o criador
e d’ arma em riste espalhará o pavor
entre lutas, destruição sem ressurreição
talhando finalmente ‘tampa do caixão

Do celeste promontório, ouvir-se-á ‘risota,
de quem fala e ao mesmo tempo arrota
assistindo no mais moderno dos plasmas
o ultimo filme sobre anjos fantasmas

E um dia, cansado de tanta resistência
terminando c’ que lhe resta da paciência
lança ao planeta u’ chuva de meteoritos
não sobrando (para contar) pobres ou ricos

Cito Loio


quinta-feira, março 20, 2014

Já cá canta....novo D. Sebastião


...às vezes prefiro falar de história do que contar histórias

sábado, março 15, 2014

Poema à minha terra...





UM TUDO ABSOLUTO







Quero dedicar um poema à minha terra natal
Inspirado nas lendas dum império capital
Depois de ler Antero Tarquínio, apelido Quental
Dorme na mão de Deus eternamente!”

Seguindo para Camões, gravar serenamente
Erros meus, má fortuna, amor ardente”
Um poema inigualável retrato impoluto de Deus
Deleitado com Bocage, na malícia dos versos seus:
Quantas vezes, Amor, me tens ferido?” E aos meus!

_ Ai, há quantos anos que eu parti chorando”
Que de Guerra Junqueiro, perdido fui deixando
Saudades duma terra que sigo amando;
Saber q’ “As palavras que te envio são interditas”
Ó Eugénio de Andrade – aqui reescritas,
Q’ a minha pena se sublevará das almas aflitas

Terá este poema por autêntico um sabor fino
Igual ao suor que extraía da pele, ainda menino
Guardado para unguento quando me animo

Sim! Que seja este poema meu o da consagração
Conduzido q’ fui entre eventos da revolução
Cravando no peito estrofes de emoção
Temperado o aço pelo calor dum amor sublime
Depositada nas tuas mãos, seguro e firme,
Minh’alma gentil, querendo q’ por ti nada termine

É poema maior, que te ofereço, um tudo absoluto
Confiança indescritível, além do negro Luto
Q’ a ti não sendo nada, em mim foi quase tudo


Cito Loio
2 a 3 de Setembro 2011

quinta-feira, março 13, 2014

fiXo pA fiXo....

 FIXO PARA FIXO


Caída a noite, rodava nervoso pela estação dos comboios da vilória, ultrapassado as 22 horas quase em namoro com o orelhão telefónico público, meio habitual de contacto quando se tratava de falar para números fixos dado que não dispunha de PT em casa. Apresentava-se mais nervos que o habitual à causa de ter tomado conhecimento que o seu amigo Charles Mandraque fora hospitalizado derivado a um AVC – não havia grande diferença de idades mas a razão do seu estado de espírito prendia-se, acima de tudo,por saber tratar-se duma óptima pessoa.
Nacho Escuriño sabia contudo que àquele telefone público não chegaria nenhuma chamada como acontecia no passado recente ; há muito que o fazia por pura rotina e talvez porque lera algures “haver razões que a razão desconhece” ou ser “o amor uma ferramenta para a traição” . Negava-se a compreender o sucedido, mas como a esperança era a penúltima coisa a morrer, lá se atormentava a cada noite passeando pela zona.

Na segunda passagem reparou num mendigo deitado no chão ao lado do telefone e apeteceu-lhe fazer o mesmo, conversar sobre a miséria que a riqueza conhecera-a tempos idos e distantes, mas estava um frio de rachar optando por continua a marcha. Deixou a memória regressara 2012, altura que sentiu idêntica sensação, derivado a uma mensagem recebida e conservada até àquele momento, mensagem enviada por Maria Patricia Cacuta, precisamente há 461 dias, datada de 5/12 14:36:45, e lida religiosamente1.382 vezes à média de 3 vezes por dia, ao acordar a meio da tarde e antes de adormecer como se tratasse dum antídoto contra a demência.

Tomou de novo o telemóvel nas mãos para a reler, pensando que seria a última que o faria comentando « um dia apago-a pois já não há espaço para tanta ferida». Fez uma pausa e voltou a falar;_ «é melhor ficar gravada, servir-me-á de aviso e recordação, e leu....

{- Difícil falarmos, as tuas condicionantes limitam a nossa comunicação. Baralha-me a conversa na estação com ruídos, por isso decidi escrever-te. Tenho pensado muito e resolvi ser firme. Sou tua amiga mas não gosto de certas atitudes que tens comigo. Novamente resolves vir aqui passar férias sem eu te ter convidado- Mas não quero que fiques em minha casa. Podes visitar-me quando quiseres, como amigo mas não gosto de ter em minha casa seja quem for. Lamento, mas as coisas tinham de ficar esclarecidas de uma vez por todos. Bjs }

Não sentiu nada;_ mais chaga menos chaga já pouco lhe importava e para lhe dizerem que não o queriam a dormir lá na mansão bastava uma frase simples - não te quero a dormir em minha casa – ponto final e seguia a banda. Olhou para o mostrador do aparelho – 11/3/2014, a noite estava fria e o céu completamente estrelado.


Inácio
11/3/2014

segunda-feira, março 10, 2014

Um dia mergulho...




sexta-feira, março 07, 2014

À mulher mais extraordnária que conheci....


 



O FANTÁSTICO DESEJO
 (de Albertina Nascimento Raposo Oliveira)

  

Foi u' desejo singelo este q vos conto;
_ tremendo ouvi-o num longínquo dia
a u' dama d' oitocentos e troca o passo,
mãe de filhos, avó de muitos mais
e patroa venerada - Paz à sua alma.

Corria seu neto sempre pronto
a provocar-lhe falta d'ar, e até azia
carpindo lágrimas forçadas prum abraço
à "mãe", quando calhava aos demais
a quem tirava do sério, rompia a calma.

Batia na varanda o sol das três,
rondando pela vivenda o mau agoiro
sentiu-se mal _ lendo a Bíblia(!),
causando pânico no caçula
a chegada aparatosa do médico,
e agarrado à mãe, pela primeira vez
sentiu do seu berço de oiro
real sentido (patente) duma família;
_ aquecido o olhar esquecida a gula
soube pra morte não haver remédio.

Ficara-se tudo pr’um verdadeiro susto
princípio duma indigestão por leitura
marcada já presença do verão;
_ e o menino gritou à mãe soluçando
«não lhe dei ordem para morrer!»
-Elevando ligeira u' já cansado busto
respondeu a sábia com ternura;
_ «tomar-me-á um dia este chão
só não sei como nem quando
e tu, some-te q'estou fartinha de t'ver!»

Dissera-lhe não querer morrer idosa
por insuportável ser enterrar filhos
que dor enorme tivera c' dois netos.
-Décadas passaram, cumprida 'vontade
não vendo finar-se outros q' amava.

Arrefeceu de casa em leito, silenciosa,
na terra q lhe agraciara mui cadilhos
tratando de avencas e dos fetos;
_ e passeou pelas avenidas 'verdade
espelho aqui presente, este q a adorava.


Cito Loio

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Reunião de Colectividades da Lusofonia


www.confederacaodascolectividades.com


Reunião na Casa Luso Angolana 
(Edifício Fontenário)
Praça das Flores

 8 de Março às 17 h

Convidam-se as colectividades ligadas à Lusofonia para o evento que contará com a presença do presidente da  CPCCRD

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Antes do 25 de Abril de 1974.

Deixo-vos provavelmente um dos mais dolorosos poemas que escrevi até à data e dedico-o sobretudo aos que mudando de Farda Juraram a Bandeira das Quinas servindo o Exército Português antes do 25 de Abril de 1974.

Não servirá para meu epitáfio mas...


NUNCA LHES NEVOU NOS CABELOS

Nunca o tempo pôs neve nos cabelos,
escorreu antes em sonhos, morosamente;
_ e proibindo-os tão somente vê-los
mascarou desejos correndo languidamente

O moreno da pele deixada de sentir
foi coberta nas madrugadas de revolução,
mas ao ilustrarem desaires, sem carpir,
bateram continência com salvas de canhão.

A alegria tangida nos rostos simplórios
prendera-os à morte, e por comprometimento
carregaram fardos para outras canseiras.

Substituído luto por risos entre fronteiras,
adquirido para tal luso assentimento,
aportaram sem naus noutros promontórios

( Diluído o tempo, pelos truques da estória
morrerão anónimos sem reforma ou glória...)



Cito Loio





*
Foto colhida da Google

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

IDÊNTICAS LÁGRIMAS

IDÊNTICAS LÁGRIMAS

Deixámos pr'atrás tempos de camaradagem,
beijos sinceros nas farras de garagem,
fraternos abraços nos claustros dos Liceus
e a forte vontade de não sermos ateus!
- Perdemo-nos nos sonhos de independência
e despojados da fé restou-nos a impotência...

Conservámos a génese que nos fez especiais
e humanos, e afirmados todos os ideais
demos corpo e alma a uma nova terra
conhecendo a dor quando um cão nos ferra!

Doutorar-nos-emos em causas perdidas,
e abalados, cosidas todas as feridas,
a esta «pátria a termo», pedida 'nacionalidade
legaremos os frutos da nossa fertilidade.

Que não chorem 'filhos dos filhos que amámos
idênticas lágrimas às q'um dia derramámos.


Cito Loio
18/2/2014
.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

A COR DA VERTIGEM

A COR DA VERTIGEM 


Eternidades passei desde então
partindo sem Caravelas à descoberta
enfrentando monstros marinhos,
e apagada a última revolução
executei rainhas de porta aberta,
sem dote real, visíveis pergaminhos.
_ e do berço registos inesquecíveis
nem memorial de nomes possíveis

Por renovado mares iguais ondas
lavraram-me, marujo, óbito
sem nunca chorarem o defunto,
enquanto desvairado a contas
com a dúvida, afastei o q de mórbido
eternizava a dor calando fundo,
desconhecendo quão era fascinante
amar u' sonho, torná-lo amante.

Reembarquei c' Vasco da Gama
por Índias ao Médio Oriente,
Américas, Oceanias, e nesta Europa
percebi-me uma espécie estranha
perante olhares ao q era evidente
das esplanadas a trilhos em rota,
incapazes questionarem da cor origens
razões que provocavam vertigens.

Substituindo remos por sofás
virei meio século de Marte a Saturno,
anelei do firmamento elos du' prisão
sem paredes, evitando voltar atrás,
recordar tempos d'Imperador nocturno
tirando dos fracassos prenhe lição;
_ majorado, e homem já conseguido
abri o peito sem chorar o perdido.



Remate

Repousando num colo revitalizante
fitado por quatro olhos cristalinos
entendi arquivado meu auto de culpa;
_ findo calvário daí em diante
incumbi-me de inventar novos hinos
e desprimorando quem insulta
evoco para mim honra d'Egas Moniz
restando prova miscigenada deste país.


Cito Loio









quinta-feira, fevereiro 13, 2014

E agora Dr António Capucho!

DEGRADANTE


Apenas degradante o acontecido a António Capucho mas...deixe-me dizer-lhe caro e douto senhor o seguinte;_ V. Exª também tem culpas no cartório ao permitir chegar-se ao ponto de, (independente ser o um dos fundadores) ser expulso!

Evidente que a política obriga-nos bastas vezes a relevar certas “nuances”, mas no meu caso jamais teria chegado a esse extremo dado que convocava a Comunicação Social (poder conferido peloseu estatuto) e perante as câmaras televisivas e jornalistas em geral, em horário nobre, diria ao Povo Português o seguinte: 

«PORTUGUESES, VENHO FORMAL E PUBLICAMENTE INFORMAR QUE A PARTIR DESTE MOMENTO DEIXO DE PERTENCER AO PARTIDO QUE AJUDEI A FUNDAR»

A dignidade não tem preço senhor Capucho, pelo menos para mim e já dei provas de ser um Homem com H grande, e a porta de entrada é exactamente da mesma dimensão da porta de saída, aproveitando ainda para elucidar o Partido que quando alguém com responsabilidades vem dizer que o Governo entregou as “COMPETÊNCIAS” a uma comissão “particular” para...o que deve fazer é IR A BANHOS.

Como V. sabe, a presente Constituição permite concorrer como Independente às Câmaras, Juntas de Freguesia, Presidência da República, mas não admite criar a figura de Presidente do Governo e abrir o concurso a Independentes denotando o quanto aferroados estão ao poder os membros que compõem as forças partidária. Evidente que a culpa é das pessoas, contrariando a opinião de muito democrata acusador do tempo da outra senhora de haver excesso de analfabetismo, 40 anos depois este mesmo povo continua (cada 4 anos) a assinar de X (cruz).

Senhor Capucho; pena minha pelo que lhe sucedeu, mas...pelo menos agora o senhor pode esquecer o ditado popular....

Felicidades e verá não ser “assim tão mau” viver de consciência tranquila.

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Cabeça de Cartaz...!


Se eu pudesse oferecia este poema aos Ministros de Portugal mas eles desconhecem o que significa certo número de termos utilizados, e o valor da linguagem portuguesa sem acordos, razão pela qual vai só para as minhas gentes.
 


Aproveito para informar, que ontem mesmo fui convidado para ser um dos cabeça de cartaz da Poesia,( próximo dia 8 de Março - dia da mulher) numa evento da Lusofonia.
Quanta surpresa, e quanta honra...







UM PRISIONEIRO EM LIBERDADE



Sinto que me falta escrever u’ grandiosa história
sustentada por notas colhidas nos cajueiros
dando cor a quadros de tão viva memória
tempos idos em que rabeava com cães rafeiros;
­_ vitralizar com arcos uma majestosa ponte
edificada com pedras de Punguandongo
para ligar a lua ao largo Maria da Fonte
pasagem por Catete em direcção ao Dondo.

Trocarei ‘capítulos c’ Cravos (!) por Maboque,
a Serra da Estrela pela Tundavala
festivais de fado por batucadas sem rock,
praias algarvias pelo cheiro duma sanzala;
_ pelas encostas dum Douro cacheado d’uvas
às ondulantes searas alentejanas
resumirei, deitado ao sol das Mabubas
a catinga do sisal contra o feitiço das canas

Colocarei se à falta, ‘chatas’ no rio Bengo
nunca comutadas por velhos cacilheiros
espantando gaivotas; _ e o poeta lendo
passagens sobre funerais de guerrilheiros
sem a tradicional missa de corpo presente,
viúvas de chapéu alto e malas Vuitton
notando-se indelével o luto ausente,
incomparável ‘peles vestidas doutro tom

Sem milongas q’ invertam do acto o curso
agonizo perante ‘falta de trovoadas tropicais
quando curo bebedeiras com o absurdo
d’ equiparar lezírias à vastidão dos capinzais
ao passear nas ruas duma qualquer cidade
vendo-me em películas d’ raros personagens,
e longe da terra concluo c’ picadas de verdade
sempre ter vivido preso àquelas paragens.

Deste sofrido poema serei único probante;
_ notando a ausência dum ou outro velho amigo,
enternecedores beijos da última amante,
prefácios que transporto ad eterno comigo,
na tentativa egoísta de suspender o tempo
vou driblando planetas, misturá-los cu’ lente,
disseminando os fusos horários pelo vento
para q vos entregue este poema de presente


Cito Loio
3 a 6 Fevereiro 2014


 
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